Entra ou Sai

Abril 20, 2012

Tabus 

Tabus

 

Tabus. Ah! Os tabus. Monstros que atrofiam, que enclausuram.

Foi o namoro em casa do irmão onde o sogro é que ficava a controlar-me, a controlar-nos.

A mim, que era um estranho que lhe entrava em casa, mas a ti que vivias lá e tinhas vinte e sete anos?!

Tanto controle! Controle, mas na pessoa errada.

Tanto foi assim que a filha é que emprenhou!

Foi nos vãos de escadas, nas curvas de escadas entre andares, nos jardins, nos bancos dos autocarros , na barraca da praia com areia a arranhar , em lençóis alugados.

Foi onde tinha de ser, o momento exigia e onde podia ser …

Foi em casa, às sestas de pança cheia em plena digestão onde ainda o alçar das pernas não incomodavam, não havia dores chatas a chatearem nos tornozelos, nos artelhos…nem panças a estorvarem.

 Foi em casa de tarde à noite, a qualquer hora, bastava que apetecesse.

 Mas sempre esperando que enquanto e durante o acto, quem tinha a chave suplente não viesse incomodar.

 Como chegou a acontecer vir e interromper no momento exacto e mais impróprio.

Foi, o que foi, como foi. E é isto que temos para recordar.

Se um dia te acabarem os comeres , se um dia te caírem os dentes , lembra-te que já tiveste dias melhores que foram teus , que foram meus, meus e teus.

 

Abril de 2012

 ImagemImagem

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Janeiro 22, 2009

Resultante

Filed under: POESIA — carva55 @ 3:29 pm
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Sou a resultante
Em mutação constante
Da soma vectorial dos discos que ouvi
Dos livros que li.

Das aventuras
E desventuras
Em tristezas e alegrias
Vividas.

Dos cheiros das cores
Das paisagens dos lugares
Por onde andei
Dos caminhos que palmilhei dos amores que amei.

Sou o que meu pai semeou
E geneticamente herdei
Mais tudo o que a vida me ensinou
E a cada instante assimilei.

Novembro de 2003

Fevereiro 13, 2008

Cicloamores

Filed under: POESIA — carva55 @ 3:05 pm
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rosto-e-rosa.jpgpatos1.jpg

( FOTOS, da NET )

Cicloamor ( I )

Oh! Meu amor
Meu estupor.

Socorro estou apaixonado
Desumanizado.

Sou uma pachorrenta
Cavalgadura.

Cavalgam – me o nariz lunetas
Apenas enxergo em frente o resto são tretas.

Cicloamor ( II )

Apaixonado, é vaguear
No chão ou no ar
Ébrio planante
A tudo indiferente
Ora acre
Ora doce
Prenhe de loucura errante.

Cicloamor ( III )

O amor é um monstro de sete cabeças!
Tritura!
Devora!
Mata!
Abandona!
Abençoa!

Cicloamor ( IV )

O amor aparvalha – nos
A todos.
Cegos e moucos
Repudiamos a verdade
Exorcizamos a realidade
E a nossa cara-metade
Fedorento mamarracho horrendo
Torna-se beldade iriante
E empolgante

Cicloamor ( V )

O amor é uma nuvem de encanto envolvente
De uma poção cativante
Que hipnotiza a gente.

Cicloamor ( VI )

Em amores e paixões
Há milhões
De interpretações.
Há cores nas imagens multicoloridas
Há sons maravilhosos nas melodias
Há vibrações estranhas!
Perigos, prazeres, em lutas, em batalhas,
Com coragem e valentia enfrentadas
Nos socalcos, nas curvas
Das paixões loucas
Nos amores desmedidos
Das nossas vidas.

Mas afinal, o que é o amor? Ninguém sabe de facto
Porque é o cúmulo do abstracto.

In , __ Entre o Ter e o Querer , Editorial Minerva Julho 2000

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