Entra ou Sai

Novembro 16, 2008

Robô Industrial

Filed under: POESIA — carva55 @ 9:38 am
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chuva-92
Cai a chuva , oblíqua , fustigada pelo vento veloz e agreste que passa .
Lá em cima , nuvens dum negro carregado seguem o seu caminho .
E eu , aqui estou sozinho , neste lugar, neste momento , quedo , manietado e amordaçado ,como cão a ganir e açaimado .
Sinto inveja do pardal que livre voa ! Que vai e que vem sem dar contas a ninguém .
E torna a ir e torna a vir .
Estou farto , muito farto !
As caixas médicas muito cobram e pouco curam .
Os seguros pouco seguram ,arranjam quase sempre maneira de fugirem com o cu à seringa !
E quem se lixa é o ZÉ , como a petinga que é pescada frita e comida .
Aumenta o preço de tudo ! Da água , do vinho e do pão , só o ordenado é que não .
Apetece – me sumir !Para bem longe partir !
Mas para onde ? Para a Lua ?Tenho que esperar pelos voos turísticos !Que não tardam aí, já dizem os dísticos .
Para Marte ? ( Os gringos dos STATES ) Já o andam a vender em lotes retalhado .
E eu que fui a teso condenado, estou lixado !
Que parvo que sou ! Se o andam a vender é porque tem dono ! E eu que pensava que era meu e teu !
Que grande treta ! Pela INTERNET impingida !
Eles cá da Terra , serem donos de Marte ?! Não aceito , mas não me admiro que o vendam .
Eles que já há muito impingem merda por oiro , que os papalvos ingerem e chamam – lhe um figo !
Fecho os olhos e em saborosa alucinação sinto a palavra e a melodia daquela canção que dizia : _ Não há machado que corte a raiz ao pensamento , porque é livre como o vento _
E aí sim , aí sou livre como tu ó pardal Que vais e vens , tornas a ir e tornas a vir .

Carmindo Carvalho. In, __ Entre o Ter e o Querer __ , Editorial Minerva 2000

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Abril 24, 2007

VIVAS AO VINTE E CINCO DE ABRIL

cravo-de-abril-2.gifcravo-de-abril.jpg25-de-abril.jpg

Mais um aniversário daquela
Maravilhosa
E inolvidável madrugada
Se aproxima.
Aos homens que nela se envolveram
Pelo trabalho que por certo tiveram
De uma forma
Ou de outra
Muito fizeram
Para que o sonho
Se tornasse realidade em jeito de agradecimento
E homenagem lhes canto
Agora e sempre lhes cantarei.

Todos os cânticos
Que for capaz de lhes cantar.
Por todos os caminhos
A palmilhar
A todos lugares irei
E cantarei.

Pela reviravolta benéfica que gerou
Na caduca sociedade portuguesa
De então. Pelo que aos olhos e corações do povo representou
Agradecido cantarei.

Eu, tu, todos nós que não pactuámos com tal sistema
Que não comemos da mesma gamela
Com tal famelga
O nosso obrigado
Mil vezes amplificado
Para que bem longe se ouça
Aos ventos seja lançado.

Juntos e unidos cantemos: Viva o vinte e cinco de Abril!!! SEMPRE

Da noite se fez dia

chuva31.jpg


Era noite cerrada
Num céu de negro
Carregado
De uma quinta-feira
Chuvosa.

Sombras tenebrosas
De criaturas tinhosas
Espiavam
Rondavam
Cercavam.

Sempre presentes!
Sempre omnipresentes!
Sempre omnipotentes!
Nas aldeias lugarejos
E cidades.

Ameaçavam , torturavam , matavam.

Era já madrugada.
De repente, do breu da noite cerrada
Nasceu um dia claro. E o que antes era quase nada

Se juntou
Cresceu e multiplicou.

A vontade dos homens era una!
Juntos num ideal comum deram as mãos, vieram para a rua
E acabaram com a mordaça
Da impiedosa
Ditadura.

E o povo farto
Do freio
E da mordaça
Respirou de alívio
Saiu e encheu tudo que era rua e praça.

A plenos pulmões, em coro, gritou:

SOMOS LIVRES !!!
SOMOS LIVRES !!!
SOMOS LIVRES !!!

Fora! Com essa corja!
Com a escumalha!
Dos compadres!
Das comadres!
Dessa cambada!

SOMOS LIVRES !!!
SOMOS LIVRES !!!
SOMOS LIVRES !!!

Abril 2004

Abril 16, 2007

ENGULHOS

chuva-1.jpgchuva-abstrata.jpg
Quem me derruba
Este muro
Deste gueto
Que meus horizontes limita?

Quem me corta
Esta cerca
Que me condiciona
Que me aprisiona?

Quem me corta
Esta invisível grilheta
Que me fere
Que me deprime?

Quem me entulha
O caminho que de mim
Te leva, de mim
Te aparta?

Abril de 2007

Março 26, 2007

Tão perto e tão longe

Filed under: POESIA — carva55 @ 6:27 pm
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tao-perto-e-tao-longe.jpg

Tão perto e tão longe…
Inaceitável paradoxo
Que não vejo
Mas que sinto
Omnipotente!
Omnipresente!

No casulo
Desolador
Deste infortúnio
Pelo destino
Imposto

Exangue
Gota
A gota
Esvaio-me.

Sento-me
E espero
Pelo malho
Do tudo
Ou do nada…

Do tudo ou do nada…, que há-de vir.

Seja o que seja
Que venha
Nem que seja
Somente um olá.

Seja o que seja
Que venha
Mas que venha
E acabe
Com o efeito
Deste silêncio
Castrador.

Seja o que seja, contentar-me-á?
Sei lá?! O tempo o dirá.

O tempo! Sempre o tempo!
Por vezes justiceiro
Exterminador.
Por vezes
De todas as mágoas bálsamo curador.

Exangue, sento-me e espero.

Março de 2007

Março 10, 2007

A branca veiga na folha vazia

Filed under: POESIA — carva55 @ 10:43 pm
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A branca veiga
Na folha vazia
Espera a presença
Da minha alegria
Ou da minha azia.

Do que sair
Quando sair
Se sair.

Enquanto algo disto
Ou parecido com isto
Ao papel não chega
Acumulo orgias
E diarreias
Mentais
E outras coisas
Mais.

Que ao derramar, ao sabor da ocasião
Enfeitarão
Verborreias ocasionais
Uis e ais.
E outras coisas mais.

9 de Março de 2007

Fevereiro 5, 2007

Bola Milagrosa

Filed under: POESIA — carva55 @ 10:42 am
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      foto-de-bola-de-futebol-3.jpg  foto-de-bola-de-futebolj-2-pg.jpg                                                     

                                                Bola Milagrosa 

Enquanto dura   

O rola

Que rebola

Da bola.

 

 

O Zé – Zé

Quer é cervejola

 Gelada

Na mão e bola no pé.

 

 

O Zé-Zé

Jura

Que esquece os males da tola

E da tesura.

 

 

Enquanto o sonho dura

Ele acredita

Na conquista

Da tão cobiçada Taça.

 

Esquece que mora na favela.

Esquece o frio da lata

Da barraca.

Esquece a falta de ração que o põe magricela.

 

 

Esquece o dever da “entesura” do dia.

Esquece que a sua Maria

Por falta de “lenha”

Espera e desespera.

 

 

Esquece

O choro do puto.

Esquece

Até a dor de luto.

 

 

Abençoada bola que cura os males da tola !

Fevereiro 1, 2007

Agora

Filed under: POESIA — carva55 @ 3:20 pm
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barcos-6.jpgbarcos-1.jpgmoinhos-de-vento_2.jpgchega-de-bois-3.jpgcavalo-2.jpg

Agora , muito mais que até agora , me sinto só , isolado

E lixado . 

Se eu tivesse a força dum boi marrava

E este muro derrubava . 

Se eu tivesse a agilidade dum cavalo escoiceava

E galopava . 

Se eu tivesse a força do vento

Que empurra aquele barco .  

Se eu tivesse a força da água que move aquele moinho 

 Talvez encontrasse o meu caminho . 

5 / 00 

Por entre o riso sarcástico da impiedosa morte

 

Por entre o riso sarcástico

Da impiedosa

Morte

Oiço um grito

Lancinante

De uma criança

Inocente

Definhando

Agonizante.

 

Sobre o gume cúmplice do silêncio

Da ganância  

Da arrogância

Da gula

Oiço estrondosas

Gargalhadas envoltas

Num manto impregnado

Em grossas camadas

De pouca-vergonha.

 

Janeiro 21, 2007

Os meninos da Tv.

Filed under: POESIA — carva55 @ 12:22 pm
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Ossos desengonçados
Ventres inchados
Rostos secos
Narizes ranhosos
Feridas antigas
Secas em crostas
Chagas abertas
Petisco para moscas.

Sem cantar nem rir. Uma vida inteira a sofrer!

Só dor e fome! E morrem sem saber
Ou entender
Que os tostões para o leite e o pão
Compraram balas de canhão!

Olhos de uns fixos no vácuo do nada!

Olhos de outros perplexos por tudo que já viram
Assistiram e desesperaram.

Todos esperam a morte. Só a morte e mais nada.

Setembro de 2002

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