Entra ou Sai

Julho 19, 2009

Confraria da Caldeirada

Da net

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Decorriam os anos setenta. Havia pouco tempo que tinha acontecido a célebre revolução dos cravos.
A esperança estava elevada ao máximo. “Era agora que tudo aquilo por que tínhamos sonhado e tanto esperado ia ser realizado”, __ ouvia-se por todo o lado.
Era uma coisa que enchia as ruas, as fábricas, e impregnava de alegria principalmente, as cabeças e os corações das pessoas.
As pessoas que eram o povo. E o povo acreditava, porque a fé e a esperança move ou derruba montanhas, dizem …
Mas outras forças, semiocultas, submersas, quase que em banho – maria, esperavam o momento de atacar.
As forças de quem pode __ as forças do vil metal, por quem tudo gira, para quem tudo cresce, para sustentar as descontroladas gulas, e ganâncias desenfreadas.
E assim foram passando os dias que fizeram anos. Anos de continuação do penar dos filhos da mãe, de muitas mães, mães sofredoras, mães trabalhadoras, mães que limpavam, mães que amamentavam e desmamavam, mães que sofriam os azedumes dos seus homens, mães que choravam as mortes dos seus filhos, mães que apertavam a cinta para travar a crescente fome de tudo a crescente fartura de nada.
As forças acima descritas, semiocultas nos covis, ou em tachos marinando e temperando, repito: _ em banho – maria esperando, pacientemente esperavam.
Até que chegaram os tempos em que já no ponto, apareceram e como praga moléstia ou epidemia se multiplicaram e de tudo se apropriaram.
As pessoas, as mães e os filhos que faziam e compunham o ramalhete da esperança e da crença, de tanto esperar, estando já num estado de desiludidos, amorfos, e como um rebanho entontecido pelos interesses do pastor, foram fechando os olhos, deixando tudo crescer ao gosto e prazer de quem estava a reaparecer.
E assim, o meu querido país, rapidamente se transformou numa manta de retalhos rota, desfraldada e esfarrapada. De todo o lado, apareceram mentes corruptas e dedos gulosos e mafiosos a abanar e depressa a desviar, a árvore. A desviar, repito, __ porque roubar era o acto de quem antes estendia a mão à fruta para matar a larica a que estava condenado.
Décadas depois permanece a caldeirada, por essas forças tão bem confeccionada. Forças reunidas na confraria da Caldeirada.
E para completar a obra começada, apanharam boleia na crise financeira que os seus primos espalhados pelo mundo engendraram, comandados pelos dos “states”, (porque é de lá que vem toda a merda envolta em pozinhos de oiro!) e à outra crise de valores já bem medrada, juntaram, e nos restantes amorfizados, anestesiados, deram muita porrada. Agora como toiros usados nas toiradas, nas arenas torturados, ensanguentados, ajoelhados esperam a última estocada.
Enquanto esperam por isso olham em redor procurando os valores anteriormente conquistados em séculos de lutas. Alguns desses valores estão já irremediavelmente perdidos. Outros esperam ainda na calha do corredor da morte. Como se de membros desossados se tratasse, já desmaiados, desfocados, desvalorizados, esperam o momento final. O sacristão prepara já a corda e o sino para dar o toque a finados, finitos, espremidos, prensados.

Julho de 2009

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Julho 3, 2008

E a montanha pariu um rato !

Foi em Junho de 2008. A selecção Portuguesa de futebol veio até à Suíça disputar o torneio, (digo torneio e mantenho, porque cá para mim, num campeonato todos jogam contra todos e este evento funciona por sorteio de grupos, meia final, e respectiva final. Por isso fico à espera que alguém me contradiga e me esclareça.)
Foi um corrupio de cobertura mediática, uma grande chatice, direi mais: uma grande tortura aquilo que a Tvi, a televisão que adquiriu os direitos de transmissão, nos impingiu.
Ele foi cortes em programas para passar aos directos do estágio.
Ele foi nos telejornais a ver quem falava mais, a prognosticar enormes resultados, com uma grande certeza, __como no caso daquela coisa que é só baixar, arrear, e ao sair deixar cair __.
E sempre as mesmas perguntas: “ de qual jogador gostas mais? “ E quase sempre lá vinham as mesmas respostas ditas por rapariguinhas ainda com aspecto a leite, (na tv. Ainda não se sente o cheiro!) Quando questionadas sobre os porquês, justificavam as escolhas com isto: “ Ele é tão bonito!” __Como se beleza jogasse futebol ….
E assim se alienaram as massas. Assim se formaram multidões de gente que se deslocaram de longe somente à procura de um autógrafo, de um sorriso, de um aceno.
E eles, armados com a farpela de vedetas lá passavam, ora no conforto da sua”bomba”, ora no aconchego do autocarro de vidros fumados, ou a falar, ou a fingir que falavam ao telefone, a ignorarem pura e simplesmente os papalvos que alimentam aquela paranóia colectiva e lhes pagam os chorudos ganhos.
Assim se formaram enxurradas de gente que os seguiram para todo o lado. E pasme-se porque é para pasmar!!! Alguém se lembrou de cobrar bilhete para assistir ao treino. E doze mil daqueles colectivamente apaixonados, colectivamente alienados, pagaram dezasseis francos suíços, __dez euros, mais coisa menos coisa.
Logo à chegada, desde o aeroporto até ao hotel em Neuchâtel, foram escoltados por mais de dois mil motards durante mais de cem quilómetros.
Os viadutos daquela auto-estrada por onde passaram estavam forrados, de gente dependurada, que esperava a passagem do autocarro. E para matarem o tempo cozinharam, assaram, comeram e beberam o que muito bem quiseram , sem esquecerem as sardinhas e o bacalhau, __ pois claro !
À porta do hotel, o autocarro teve de circular a passo de caracol, e de polícia suíça embasbacada com tamanha coisa nunca vista! Tal era a grandeza de tamanho, de crença, de certeza na vitória final, daquela multidão.
Nos dias seguintes, alguns mais curiosos e teimosos, espreitavam pelas frinchas dos taipais que cercaram e emparedaram a zona envolvente do hotel. Outros mais idiotas , ( munidos de boas ideias quero eu dizer ) , subiram a miradoiros empunhando potentes binóculos, simplesmente esperando qualquer coisa que cheirasse a jogador bonito…
Depois foi o que se viu. Ganharam os dois primeiros jogos e surpreendentemente perderam o terceiro, com uma Suíça que já tinha sido eliminada da competição, mas que crente, cresceu, combateu e venceu o seu primeiro jogo de sempre, nesta competição.
Caiu o Carmo e a Trindade! E lá veio o treinador /seleccionador, alcunhado de “sargentão”, de pronto e em jeito epistolar, falar às hostes, __dizer que podiam ficar sossegados porque nos jogos seguintes iam jogar melhor. (Repare-se que não disse que iriam tentar). Tanta fé! Tanta convicção! Como se o futebol fosse um jogo matemático e isento de ventos adversos naturais e artificiais…).
Mais uma vez, foi o que se viu. Tinham que defrontar, __segundo alguns __, a poderosa Alemanha. O que se viu, não foi uma poderosa selecção a lutar, a jogar jogo bonito e corrido, mas sim a esperar e a jogar um jogo venenoso, mas incrivelmente concretizador e eficaz. Foi cinco vezes até à baliza portuguesa e marcou três. O mesmo tipo de jogo que usou contra a Turquia, foi três vezes, e marcou três vezes!!!
Portugal a exemplo de quando joga, mesmo nas fases de apuramento onde quase sempre se apura nos últimos instantes, entrou enfezado de medo, devagar e devagarinho, para a esquerda, para a direita e para trás, sem garra, sem ambição, sem vontade de vencer, (as tais palavras inscritas no próprio autocarro, e tão apregoadas como energia movedora). E o adversário deixando jogar. Chegou-se ao desplante da estatística anunciar, ___setenta contra trinta por cento de posse de bola! ___.
Mas isso não chega para marcar golos.
E a tragédia a adivinhar-se.
É verdade que o terceiro golo foi antecedido por uma falta estrondosa, de um empurrão a um jogador português, a tirá-lo do caminho e a ser marcado de cabeça. Falta tão escandalosa que toda a gente viu, só os árbitros é que não! Só lá para o fim é que os nossos rapazecos deram ares da sua graça e lá se viu bom futebol. Mas já era tarde. E assim, fomos impedidos de ir a prolongamento e porque se tratava de um jogo__deita fora __ fomos eliminados.
E todos pegaram na maleta e lá foram com o rabinho envergonhado, entaladinho entre as pernas.
Finalmente, foi-se tudo! Ficou apenas um silêncio constrangedor.
Foram os bruxos, adivinhos e benzedores de ocasião, caladinhos que nem ratinhos antes que alguém lhes lembrasse que as rezas e mezinhas de nada valeram.
Foram os oportunistas emplastros e afins.
Foi-se o circo televisivo com toda aquela palhaçada mediática, (que me perdoem os palhaços profissionais).
Foram os fãs logicamente desiludidos.
Foram os jogadores, __que se não concluíram deveriam de ter concluído que nomes e camisolas não marcam golos, não ganham jogos__.
Foi o treinador / seleccionador talvez sem entender, (a exemplo de outras vezes), como não resultaram as suas opções de chamar jogadores que pouco tinham jogado pelo seu respectivo clube, ou saídos de uma lesão. Talvez sem entender que as promessas às virgens e santinhas da sua devoção, não tinham resultado. Tinham sim, se transformado numa enorme montanha que pariu um rato. Ou seja: NADA!!!!!!
Mas será que esse senhor ainda não enxergou que essas forças se existem e se forem justas nunca o poderão ajudar só porque crê e promete? Porque assim seriam parciais e com tal ajuda a ele concedida, iriam prejudicar os outros, e tornar-se-iam forças interesseiras e tendenciosas.
Realmente há cada um!
Ó gente! Estamos entregues à bicharada!
Será que há por aí alguém que ainda se lembra do outro? ( O tal chamado de Tonho , que espalhava alhos e sal pelo balneário a fim de afugentar maus-olhados! __ Soube-se mais tarde ) E são estes líderes pagos a peso de ouro! Enfim….
Eis os meandros misteriosos do futebol. Óh! Futebol, futebol! __ Quanto mais te conheço, mais gosto de xadrez __.

Julho de 2008

Novembro 18, 2007

Modas e modernices

Filed under: Ratadas — carva55 @ 12:44 pm
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É assim, é assim, é assim. Por todo o lado tanta vez já ouvi este __ é assim __. É em debates na Tv. ou rádio, é em simples conversas de café.
“ É assim “, subentendo por uma afirmação, e antecedendo uma resposta, logo deduzo que quem isto disse está a afirmar que o que vai dizer, é rigorosamente assim, sem margem para dúvidas.
Mas depois confirma-se que nem sempre é assim.
Eu, um dia escrevi: __ Nada substitui nada, nem nada é insubstituível __. Mais tarde arrependi-me de ter escrito isto. Lembrei-me de que em pleno século XXI , o sangue, ainda não é substituível. É claro que em muitas outras matérias algo substitui outro algo integralmente em algumas e parcial-mente noutras .
“ Lembro-me que há gente que pensa que é insubstituível, que em tudo que diz ou faz é melhor que todos os demais, “coitados, que se cuidem…”
Não sou especialista nesta matéria, (e certamente não sou em nenhuma), penso. Mas acho que, o indivíduo que usa sistematicamente o tal __ é assim__, sofre de um bloqueio de raciocínio, que se reflecte na sua forma de expressão.
Por exemplo:
O actual treinador do Sporting, __Paulo Bento __, não consegue dizer seis palavras sem que introduza na sua palestra um prolongado e muito irritante __ ãããã__.
Mas que raio! Que é isto? Será uma forma de ganharem tempo para melhor poderem escolher as palavras ideais para a resposta que lhes pedem?
A alguns, aqueles que pelas conveniências, permanentemente obrigados ao politicamente correcto, até aceito, que tenham que escolher as palavras ideais, menos agressivas, __ não vá acontecer que as suas palavras tenham a audácia de ferir aquelas espécimes prenhes de susceptibilidades! E com isso espalharem-se ao comprido e ficarem por ali aos ais __.
Mas, ó gente! E então os demais? Será que andam todos malucos, ou será apenas uma onda, de mais uma moda destas modernices?
Alguns, a isto, acrescentam, usam e abusam do “pronto” enfeitado com um incorrecto (S) e fica “ prontos.” E arrematam com um ,”é claro!”. Quando por vezes nada é, nem está claro, pelo contrário, __ até o tempo está farrusco!
Para descongestionar deste prato indigesto: desligo o “radar”, visto o casaco, “dou corda aos sapatos”, e vou apanhar ar fresco.

Novembro 15, 2007

Abaixo de cão

Filed under: Conto,Ratadas — carva55 @ 10:53 am
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Na fábrica, fui até ao Wc. despejar as tripas. Necessidade que não se pode delegar em ninguém. Ao menos nisto sou igual aos demais, nem mais nem menos, nisto todos têm que se ocupar, até os tais mandões, pensei. E este pensamento deu-me um gozo do caraças!
Na parede junto à porta estava colado um papel com um texto a convidar o pessoal para o jantar de convívio anual.
Junto ao texto, alguém desenhou um cão em pose de ladrar, a largar pela boca uma baba, espuma ou coisa parecida.
Pelo cu saíam-lhe umas bolitas que eu identifiquei como sendo fezes.
“Quem será o autor desta obra de arte? Com isto estará a querer dizer-me: __não venhas, olha que te mordo. Se vieres, comes esta merda que estou do cu a largar__.“
Isto caiu-me tão mal que logo ali naquele momento decidi não ir.
Após se ter esgotado o prazo para a entrega da confirmação, da ida ou não ida, abeirou-se de mim o grande chefe e assim falou:
__Então Senhor Carvalho, não vi o seu boletim para a festa. Esqueceu-se de o entregar? Vem, ou não vem? __Não, não vou, e digo-lhe porquê.
E falei-lhe de tudo aquilo que vi, deduzi, e que tenho estado a relatar.
__ Toda a gente achou piada só o Sr. Carvalho é que não. Para a próxima vez mando fazer outro desenho com uma coroa de rei e o seu nome, e até lhe posso dar uma para que a coloque na sua cabeça.
__Claro que pode! Pode isso e muito mais!
Mas será melhor que mande escrever somente o texto sem lhe acrescentar desenhos estúpidos.
Sei que sou especial! Tenho uma cabeça que pensa diferente dos demais. É o meu pensar, a minha óptica das coisas, a minha razão. Porque tenho direito a isto tudo, e ainda porque:
__ Não há machado que corte a raiz ao pensamento __, lá diz a célebre canção__, porque não abdico nem sequer de uma ínfima parte desta minha forma de estar e de pensar, digo-lhe: __Não, não vou! __.

Talvez por não estar habituado as falas nem a desobediências destas, Talvez por estar habituado a lidar com gente de todo o mundo, (por aqui, só ainda não vi esquimós!), que devido a guerras, a misérias extremas que os obrigou a deslocarem-se e por sistema acomodam-se, submetem-se e deixam-se escravizar, talvez por ter concluído que este careca, foi feito de outra massa, que não se submetia, que dizia não à ocasião, __ não respondeu, virou-me as costas e não me falou durante uns longos tempos. São assim, procedem assim estes chefes. Os outros, na Marinha, ostentavam uns galões doirados, estes aqui, apenas usam as penas eriçadas, as cristas emproadas, os narizes empinados, a realçarem o poder de todo o conjunto.

Estávamos em mil novecentos e noventa e agora estamos em dois mil e sete. Entretanto com a chamada, __Globalização __, o grupo empresarial cresceu e expandiu-se para o estrangeiro e às festas tem vindo gente das vizinhanças. Em algumas, já aconteceu juntarem-se mil e tal pessoas.
Já aconteceram muitas festas. Acabei por ir a algumas e às restantes tenho-me cortado a ir. Tenho ido conforme o apetite do momento. Estando eu quentinho, na minha casita aquecida, e lá fora haver um grande nevão não me apetece sair para ir, e tenho pensado:
__ Não, não vou! Acendo a lareira, tomo uns copitos, e pronto.
Ir? Para quê? __Para esperar muito tempo pela comida, por um mísero meio copito de tinto, que quando a menina depois de servir aquelas gotas logo vira costas! Apetece chamá-la, apontar para o copo, e dizer: “ Olhe, menina: já estou outra vez às escuras! “
Aqui existe um enchido de que já muito falei noutros escritos mas acho necessário repetir agora.
Chama-se __Olma-Bratwurst __. Faz-me lembrar a moira portuguesa, mas nem aos calcanhares lhe chega. E eu, ainda bem me lembro de quando , e do quanto, ao comê-la lambia os beiços, só que infelizmente, muito raramente, isso acontecia lá na minha terrinha, a minha querida Nagosa, plantada na Beira – Alta, só que esta, a dita, é feita de carne tão triturada e diluída que lhe dá uma cor uniforme, sem a brancura de um único milímetro de nervo ou tendão descarnado, nem a vermelhada típica da carne ensanguentada, nem a dureza traiçoeira de um pedacito de osso. Tem um sabor tão esquisito que me deixa na boca uma sensação desagradável, que me parece estar a comer um pedaço de plástico, e por momentos vejo-me na pele de um cão a roer o seu osso artificial de brincar.
Por estas paragens é considerada uma grande especialidade , especialidade da avó, __OLMA__e é muito usada em festas. Até em algumas onde as portas são abertas ao público, em firmas, em fábricas, em garagens, quando querem apresentar as novidades do mercado. Não há festa que se preze, que não a apresente. Sem ela, não seria festa, não seria nada.

Nós os latinos não apreciamos muito aquela coisa, porque temos enchidos, __os nossos muito saborosos fumeiros, que principalmente os alentejanos aquando da ida à terrinha trazem, e convidam alguns amigos para se regalarem numas petiscadas bem regadas.
“Que sorte tenho, por ter amigos desses! Eles são os culpados de algumas segundas-feiras azedas…, que me têm mantido turvo por muitas horas.”
Os nossos chefes sabem isso, e uma vez, na tentativa de agradarem, puseram à disposição e à descrição do pessoal outras carnes tais como: febras e costeletas. Com a obrigação de cada qual as assar. Ora aconteceu que com aquela novidade introduzida, os que puderam, abusaram e paparam tudo num instante. Digo, puderam, porque deixaram os atrasados a berrar! A esta não fui, por isso não assisti, mas se muito gozo tive ao ouvir contar, muito mais teria se tivesse assistido.
Mas, além disto que descrevi como inconvenientes, ainda há a acrescentar que em todas elas têm acontecido sempre as mesmas cenas teatrais! Tenho-me fartado de rir ao ver toda aquela gente, __colegas e chefes__ numa falsa cavaqueira, todos sorridentes, eles que passam todo o resto do ano numa autêntica guerra de lambe-lambe, de ver quem mais espezinha para conseguir os seus fins, e ali, naqueles momentos é um “regalo” vê-los a usarem cumprimentos especiais, com palmadinhas nas costas, tudo aquilo me cheira a uma enorme hipocrisia.
Em algumas até foi muito saboroso. Numa delas, todas as comunidades, (e por lá mora todo o mundo), foram convidadas a apresentarem as suas especialidades. Foram montadas barraquinhas, parecia um arraial no meu Portugal.
Numa outra vez, __ não na festa geral do grupo empresarial, mas na nossa secção e mesmo assim meteu muita gente! __, Um grupo de portugueses aceitou o desafio e tomaram em ombros a tarefa de representar Portugal.
Fizeram gambas, sopa de peixe, e bacalhau assado, __ mesmo na brasa! __, E com mais umas coisas a enfeitar e a complementar, (coisas que agora já não me lembro) deixaram uma boa imagem de Portugal.
Para quem não sabe ou nunca quis saber e por isso nunca nisso sequer pensou, digo aqui e agora, que nós os emigrantes, somos os melhores e autênticos embaixadores de Portugal. Porque os outros ditos e tidos por tal, ficam-se pela representação, selectiva, em momentos e para elementos especiais e que por isso não chegam aos demais, às massas do país onde se encontram teoricamente a desempenharem essa missão. Com isto que estou a dizer, se algum deles me ler, vai ficar a deitar fumo pelas fossas nasais, (vede como também sei falar caro! Porque me apetece, senão escreveria, __ventas__, como um dragão. Mas pouco me importa. Não devo nada a ninguém. Sou livre e independente como o Pardal que vai e que vem, torna a ir e torna a vir sem dar cavaco a ninguém!
E pronto, eis mais um relato verdadeiro, a juntar à minha colecção das esquisitices desta gente.

Novembro 10, 2007

Sornice

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São três e meia da tarde de sábado do dia dez de Novembro de dois mil e sete.
Lá fora, o tempo tem um aspecto farrusco.
Lá em cima no alto da serra passa uma mancha enevoada de onde cai neve. No chão vê-se bem nítida a sua brancura.
Cá em baixo, embrulhados no vento que irritado assopra e faz os meus estores metálicos queixarem-se dos seus safanões,
passam uns flocos de neve que logo derretem.
Aqui na sala, as Tvs., como habitualmente, (e talvez para não variar), estão a passar uns programas que parecem terem sido copiados a papel químico, tal é a semelhança dos seus modelos.
Os pássaros, __Agapornis__, a quem os Ingleses chamam de “ pássaros do amor “ estão enrolados, já preparados para baterem uma rica sesta.
Os peixes, de pança cheia nadam calmos. Alguns nem sequer nadam, flutuam apenas.
Chega-me uma sornice que me torna amorfo, sem que nada de jeito me apeteça fazer.
Penso e visiono o “filme”. Ali ao lado na Caravela certamente que acontece o normal habitual. No espaço que é bar e também salão de jogos, um par a jogar bilhar, alguns a jogar cartas. No restaurante, a esta hora, estará algum retardado a lamber-se nos restos do almoço.
Na casa do Benfica a esta hora já as cartas fervilham nas mãos e saltam para a mesa. As setas voam apressadas em direcção à máquina dos pontos. A Tv. está sintonizada no sporTv. e no futebol Inglês. __ Porque é por lá que anda a brilhar o nosso Cristiano Ronaldo! __.
Os jornais, abandonados, amontoados, lá estão a forrar a máquina do tabaco, esperando um folhear, um simples olhar.
“Coitados de vós …, bem podeis esperar sentados! “

O ambiente do Centro é-me mais difícil calcular pois que ultimamente tem andado muito irregular.
E eu aqui estou sem saber que fazer.
Pego no livro que ando a ler e depressa o lanço para o sofá. “Não, por agora não vou chatear-me mais com esta porcaria. Mas hei-de acabar de te ler,” penso eu, olhando-o.
Dizem que já vendeu carradas de resmas, mas é a maior porcaria que já li até hoje.
Os autores dizem – me para não pensar nas dividas. “ Que antes de abrir a caixa do correio devo pensar sempre que vou encontrar lá dentro arrumadinhos cheques com dinheiro fresquinho e vindo de desconhecidos. Que se eu não pensar nas dividas elas não aparecem.”
Ora eu penso que ninguém dá nada a ninguém. Mesmo quem dá esmolas, está sempre esperando receber algo em troca, nem que seja algo vindo de um santinho qualquer.
Que treta! Elas, __as dividas__, existem porque eu as contraí . Por isso, quer eu pense nelas ou não, as facturas vão continuar a chegar até que tudo seja pago.
“Que os meus pensamentos são como ímanes que atraem as coisas, boas e as más. Que geram ondas de frequência que se espalham pelo Universo e reúnem as pessoas que podem influenciar.”
Um deles diz que conseguiu ter a casa que anos antes tinha pintado numa tela. Um casarão de muito milhão!
Outro diz que ao olhar para os carrões de sonho devo pensar: “ vou ter um igual, vou ter um igual, __devo pensar muitas vezes e assim um dia vou ter um igualzinho!”
Garantem sem vergonha e com muita certeza!
Será por causa desta treta de pensamentos que muitos se cansam de esperar, passam-se dos carretos e entram numa onda de crime? E aí chegados, com isso, compram sim os tais carrões e casarões!
Ora que porra! Já agora digam que tudo se resume em ter ou não ter a tal lâmpada mágica e o tal gajo que ao esfregá-la faz aparecer materializados todos os nossos sonhos.
Àqueles que é costume andarem tesos, por falta de dinheiro dizem que não devem pensar na sua falta, mas que devem dar algum e pensar que já têm muito, que já têm o suficiente e assim vão atrair e conseguir ter muito mais dinheiro!
Enfim…! E assim se fazem fortunas usando o desconhecido e abusando dos desgraçados inconformados que tudo aproveitam para ver se algo de bom muda nas suas vidas. São apenas mais uma fornada a juntar aos bruxos, videntes, e similares.
Já me esquecia de dizer que esta fornada de papões é a autora e colaboradores na feitura do livro, __ The Secret __, o segredo, que de segredo para mim não tem nada de nada de secreto nem de aproveitável.
Não acredito no invisível, acredito somente no palpável.
Que hei-de fazer? Tenho umas mãos muito curiosas! E uns neurónios pouco ou nada influenciáveis.

Pois é rapaz. Tens que sair dessa morrinha e preparar a segunda – feira que já está perto, porque as férias estão a chegar ao fim e tens que ir fresquinho vergar a mola.
Para arrebitar, coloco na aparelhagem uma salada musical composta por: Whitesnake, Bon Jovi, John Mellencamp, Sunrise, Sammy Hagar e mais alguns “amigos”que certamente me elevarão a um estado tal, que me ajudarão a resistir a estes ventos adversos, penso.

Agosto 25, 2007

CONFRARIA DA REBALDARIA

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É a tia e o tio, a prima e o primo, na casota da portinhola da Brisa a desviar o tostanito.
É o da nota falsa na expô à sua vontade enchendo o odre à grande e à farta.
É o cavaleiro sem cavalo, em mota montado, do vil metal caçador,__ autoridade fardada por sinal.
É o ZéZé, esse mesmo, o tal! Pelo mundo fugido passeando em beleza em farras com certeza.
É o caldeira, o da porno – bandalheira numa boa à sombra da bananeira.
É o cunhado do outro que foi primeiro-ministro agora acusado de ter metido o bico em bom petisco.
É aquele que foi ministro e tinha conta choruda na Suíça. Disse que era do sobrinho! Desculpa esfarrapada para enganar a justiça.
A bronca mais recente na roubalheira, é a de uma alta esfera na secreta, acusada de meter foice em seara alheia, se abotoar com dinheiros apreendidos em operações especiais. “Ora lá diz o povo : ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão!”
É aquela da assinatura na folha branca. Aqui ou há grande fraude ou a tal é uma grande tansa e papalva.
É o do carrão de marca Jaguar armado em pimpão por Lisboa a assapar.
É um tal de Félix que por sinal é um lindo nome para cão, nas baixas médicas a meter a mão. As baixas fraudulentas não consegue controlar precisa de: para fiscal a fiscalizar, fiscal e meio a vigiar.
Anda um desgraçado a vida inteira a descontar para isto e para aquilo! Pagar! Só pagar! E sem refilar.
Eis os compadres e os confrades desta confraria da rebaldaria.
Em verdade, em verdade vos digo:
“Se a memória não me falha há por aí muita desta escumalha!”
Para mim, boa poesia não é aquela dos dois tractores, amor de loira , amor de morena, como o melhoral que nem faz bem nem mal, nem daquela do abstracto prenha de ar, vazia de substrato.
Aqui deixo estes relatos para que sirvam de recados àquela gentinha que troca votos por promessa de casa nova.
Sempre ouvi dizer que anda meio mundo a roubar o outro meio.
Mas cá para mim, anda mais que isso. Andam dois terços a roubar o terceiro terço.
Rouba o pequeno, rouba o grande, rouba o branco, rouba o preto, rouba o esfarrapado, rouba o engravatado, rouba o do colarinho e o do lacinho.
Isto assim não tem piada! Isto assim não é democracia! Ou há moral e comem todos, ou então dá-se um pontapé no rabiosque desta situação.
Por isso proponho que passemos todos a roubar. Ora roubas tu, ora roubo eu. Assim tudo girará nos carretos como em máquina bem afinada.
Quando a este estado de “graça“se chegar, tudo isto se tornará tão banal que o agora chamado de crime , irá ser despenalizado. E então, nessa mesma hora, o meu tão querido Portugal tornar-se-á no verdadeiro país das bananas, no paraíso onde tudo e todos serão mais iguais. “Foste roubado ? Não faz mal . Rouba tu agora e torna a encher o saco.”
Em frente, em frente marchar na guerra da roubalheira !

Julho 25, 2007

Cambada de incompetentes

Filed under: Ratadas — carva55 @ 12:39 pm

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É quarta – feira e são onze e meia da manhã.
Ligo a Tv. e o respectivo receptor da parabólica para trazer até à minha sala o meu querido Portugal.
Decepção! Lá está o programa habitual, certinho, igualzinho.
Passo pelos outros canais e a dose repete-se, quase tirada a papel químico. Os mesmos temas! Os mesmos artistas!
É verdade que o meu país é pequeno, logo o lote dos seus artistas é forçosamente pequeno, mas que raio! É sempre alguém da mesma colecção, devidamente apoiada e viciada! Hoje está neste, amanhã no outro, e assim passam por todos.
Nas duas primeiras semanas de Julho estive de férias em Portugal.
“ Tenho que puxar a brasa para a minha sardinha, se não for eu, ninguém o vai fazer”, __ pensei.
Por mail e telefone, estabeleci vários contactos com pessoas responsáveis por certos programas das nossas tvs., propondo a minha ida aos tais programas a fim de apresentar os meus livros e falar de, e o quê, eles achassem por bem.
Não tive resposta de ninguém. E alguns prometeram responder.
Cambada de incompetentes!
Cambada de incompetentes, de irresponsáveis, de baldas, etc.
Iguais a uma grande parte que por lá “reina”.
Vejam só isto: __ Cinco semanas antes da minha chegada a Portugal, contactei várias tipografias pedindo orçamento para uma edição de autor, que eu queria personalizada, com capa dura, para oferecer a mim mesmo, para os meus familiares, e alguns amigos.
Vergonha das vergonhas! Ninguém me respondeu!
Eu, para todos os efeitos fui um cliente que bati à porta daquelas firmas e pelo menos por educação merecia uma resposta.
Será por estas e por outras que o mercado português não se implanta, não se expende como deveria?
Será isto um pequeno factor, (mas muitos milhões de grãos de areia fazem uma praia!) do estaguenamento visível em várias áreas e que leva ao estado de: __”marcar passo”__ do nosso Portugal?

Vendo bem, ainda bem que os tais das Tvs., não me deram resposta. Porque perante aquela grandeza espalhafatosa! Espectacular! Sensacionalista! Do conteúdo habitualmente exibido nos tais programas, os meus livros iriam puxar-me as orelhas pelo facto de os fazer sentirem-se tão pequeninos e deslocados.
Há males que vêm por bem. Assim, escaparam àquela tortura.
Relanço o meu olhar pelos pacotes, e eles ali estão : __sossegados, ignorados, mas felizes!

Rorschach, Suíça, 25 de Julho de 2007

***

__É Agosto. Já regressei das férias. Pelo facto de não ter tido resposta das tais tipografias, Sinto-me mal , muito mal . Grandes sacanas! Pelo menos a uma vou ter de lhe dar nas orelhas, a ver se alivio este “saco”, pensei.

Agarrei no telefone e lá foi isto:
__Está? Bom dia . Quem fala? É o Sr. fulano de tal?
__Sim é o próprio.
__ Ainda bem que o apanho . Diga-me uma coisa por favor:
O Sr. é um empregado ou o patrão?
__ Sou o patrão, __ Ouço.
__ Ainda bem, escute lá isto. Há uns dias falei consigo sobre um projecto de um livro assim, assim etc. e tal, para o qual lhe pedi um orçamento. Lembra-se?
__ Sim, sim, lembro-me muito bem.
__ Óptimo. Voltei a telefonar mais tarde e o Sr. disse-me:
” Sim já está para ali qualquer coisa feita, se ainda não recebeu é porque a menina se esqueceu e ainda não mandou. Mas eu vou já falar com ela. Fique descansado. “
Estou a falar para lhe agradecer a resposta que não tive. Já agora, por favor, diga-me mais uma coisa: __ essa tal menina é empregada ou é sua esposa.
__É empregada. Porquê? __ Responde ele.
__ É que se fosse sua esposa, o melhor que fazia era divorciar-se imediatamente. Como é empregada recomendo-lhe que a despeça já. Porque com essa falta de atenção, com essa irresponsabilidade, aos poucos, vai estragar-lhe a firma, talvez até levá-la à falência.
Se precisar de motivos para isso, conte comigo, assino por baixo.

Do outro lado da linha, silencio total.
“Ficou aparvalhado e não sabe o que responder. Isto assim é tempo perdido, não dá luta, é como bater no ceguinho, pensei.
__ Tenha um bom dia com tudo de bem e de bom, desejo-lhe (apesar de tudo), em jeito de despedida.
__ Bom dia. Foi só o que o homenzinho conseguiu dizer.
E pronto. Apesar de nada ter lucrado com isto, pelo contrário, gastei mais algum no telefonema, mas valeu pelo alívio que de seguida senti.
Pelo sim ou pelo não carreguei a espingarda para que esteja pronta para a próxima batalha que por certo virá.
São muitos os empecilhos com que eu tropeço no meu dia-a-dia.
E sem jeito, me torturam e me espicaçam.
E eu, cá estarei para lhes dar luta com teimosia e frontalidade.

Por saber que isto é apenas o exemplo das tantas mazelas que conspurcam a sociedade, que serão precisas muitas atitudes destas para mudar comportamentos, apesar de me sentir só nesta luta,
Continuarei a marchar em frente e de peito erguido.


Março 10, 2007

Manjedoura de vampiros

Filed under: Ratadas — carva55 @ 8:43 pm

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Manjedoura de vampiros

Esta coisa a que chamam de globalização, envolta em flexibilidade laboral, no pagamento de ordenados mínimos, nas falências fraudulentas, nas deslocações vantajosas, na poupança crónica nos meios humanos, na gula, na ganância, do grande capital, aliados às sanguessugas das seguradoras que pouco ou nada asseguram, que de pronto abrem as mãos para receber, e quando toca a pagar, sem escrúpulos depressa atam os cordões à bolsa, criaram um sistema redutor de regalias sociais, as quais para serem conseguidas, foi preciso que acontecessem, grandes lutas das camadas operárias ao longo de várias décadas, que fizeram derramar muito sangue.
Antes havia uma escravatura, na qual os negros é que pagavam as favas. Agora existe uma espécie de escravatura, moderna e incolor, onde todos, ou quase todos, são triturados.
E perante isto os governantes: ou cúmplices fecham os olhos e ceguetas fingem nada ver, ou submissos nada fazem no sentido de controlar esse apetite devorador, criando um esquema de condições e de regras num sistema socialmente mais justo. E somente porque foi esse mesmo capital de gula desenfreada que ao lhes patrocinarem as campanhas eleitorais, os elegeram e os montaram no cadeirão do poder
E assim, vamos indo. Uns assim – assim remediados acomodados, domesticados. Outros, compram cama vendem mesa e deitam conta à pobreza, __ como diz a canção__, enquanto a corda bamba da filha da puta da porca da vida, não se rompe e os atira para a sarjeta da vida, e, como desgraçados degredados os condena a vegetar na lama e no pó.
Os restantes como donos e senhores do mundo, ora na pele de ave de rapina, ora na pele de fera predadora, juntam-se em grupo e vão-se deliciando na manjedoura dos seus primos vampiros.

Março de 2007

Fevereiro 9, 2007

Opinião pública , ou uma enormíssima ROUBALHEIRA?

Filed under: Ratadas — carva55 @ 11:00 am

__Estou. Está lá?

__Sim, opinião pública, bom dia.

__Estou a ouvir muito mal. Estão a ouvir-me?

__Sim, estamos. Estamos a ouvi-lo muito bem.  

__Ah! Sim?! Então está bem.

__Diga. Pode falar.

__Bem dizer, dizer, não quero dizer nada …

__Se não quer dizer nada, então porque nos ligou?

__ Liguei para lhe dizer quer está muito linda!

__Muito obrigada. Mas isso não é matéria para este programa.

__ Eu não quero dizer nada, mas quero perguntar-lhe umas coisas, posso? E como estou a pagar faça o favor de não me cortar o pio como costumam fazer a tanta gente que até falam bem e depressa, “melhor que um polícia bêbado”, __costuma-se dizer__ . Não me corte o fio nem o pio , está bem? Então lá vai :

__Por favor diga-me porque tenho que pagar para poder manifestar a minha opinião?“ Do outro lado ouço um  engulho engasgado!”  Para que serve esse dinheiro? Para pagar o seu ordenado? Ou o do seu convidado? Ou será uma forma de custear mais uma das tantas negociatas?   Idêntica por exemplo àquela dos SMSs. São os cêntimos para votar, para jogar, para carregar coisas lindas! Músicas e gajas descascadas para os télélé, para os papalvos se   candidatarem a prémios às vezes bem chorudos , noutras  vezes bem enfezaditos, a bilhetes de futebol, etc. , e para ser o felizardo contemplado nem precisa de saber nada de especial, basta que acerte no número mágico, que eles , “os manda-chuva” decidiram escolher e anunciar. A lista é enorme!  “Não caberia neste ecrã ” Tudo isso é lixo televisivo!  E  mais não é senão que uma enorme e descarada roubalheira?!  “Do outro lado um engulho ainda maior! “Seguem-se uns segundos intermináveis de um silêncio torturante.

__A isso não lhe posso responder.

__Não pode, porque não sabe, ou porque tem medo de perder o arranjinho. Seja o que seja vai dar ao mesmo, não pode e pronto. Sem surpresa! Já calculava!

Tenha um bom dia. Beijinhos para o programa. 

“ Que estás a dizer, ó pá?! Beijinhos para o programa? E onde lhos darias? Também tu foste apanhado e influenciado por aquela montanha diária de estupidez? Ainda se os mandares para a apresentadora que é boa como milho! Ainda vá lá! Agora beijinhos para o programa?! Deixa-me rir! Mas antes deixa-me bater com a cabeça numa pedra para ver se desperto desta alienação colectiva.    

 SMSsss 

Saber do futuro

Para não falhar. 

 Técnica de beijo

Para melhor beijar.  

 Anedota

Para gargalhar.  

Fofoca

Para baldroar. 

Poema

Para namorar. 

 Botar palavra

Para votar.  

SMSsss omnipresentes

Negócio que dá milhões

Às tvs. Telefones

E seus papões.  

 É o negócio da moda

Para enrolar a malta. 

 Paga os cêntimos

E serás especialista.  

 Paga os cêntimos

E estarás protegido 

Bem acompanhado 

 Teso e lixado.  

Fevereiro 4, 2007

Ratadas ( 12 ) Dupla dedicatória

Filed under: Ratadas — carva55 @ 11:38 am

    

                                  12

 

                   Dupla dedicatória 

  Às vezes, a esta minha “pancada” dá-lhe para escrevinhar certas coisas, que uns “alguéns” tão “chanfrados” quanto eu, classificam como poesia da boa, picante e salgada.Melhor assim…, insurrecto, politicamente incorrecto, que daquela insípida, politicamente correcta, tipo melhoral que nem faz bem, nem faz mal.

                                      

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