Entra ou Sai

Março 13, 2010

Coisas da vida

Hoje é sábado, dia treze de Março de dois mil e dez.
Voluntariamente fui trabalhar. E até hoje pouquíssimas vezes fui voluntário, fosse para o que fosse.
Sempre ouvi dizer que voluntário, só para a sopa e o pré – que é o ordenado da tropa.
Para entrar na Marinha, tive que assinar um documento, porque nessa data já era casado. Por isso, voluntário, não foi, porque fui fora de tempo, e não fui recrutado porque não me tinham chamado. Então digamos que fui semivoluntário.
Hoje, como disse, aprontei-me a ir, porque no último sábado deste mês o meu amigo joão Cruz e respectiva família vão mudar de casa e quero ir ajudá-los. Para isso já avisei o meu chefe para nessa data não contar comigo.
Normalmente devia ter ficado em casa, porque antes de ontem fui a Zurique com a minha irmã, a minha mulher, uma das minhas filhas e um dos meus genros, assistir ao concerto da Mariza.
Lá fomos na “carreira”, em excursão no jipalhão da minha filha, porque o meu carro estava na garagem para ser preparado para ser levado ao controle periódico. E a tracção às quatro rodas do jipe dava mais garantias de não acontecer, vir a ser apanhado num carrossel de uns possíveis incómodos e perigosos deslizares no gelo e na neve.
Tirei o dia de sexta-feira de férias porque nunca se sabe o que pode vir a acontecer, e porque não sabia a duração do concerto, e também porque estava de neve.
E então pensei: _Para quê poupar férias se eles, escudando-se na polivalência e na flexibilidade laboral, (palavras deles) nos estão a meter em casa conforme lhes agrada?
Gastar um dia de férias – o dia de sexta-feira, e ir trabalhar o sábado – não é normal . Mas como já disse o interesse foi meu.
Acabei de sair de uma rica sesta.
Já estou de molho no banho de imersão.
A careca transpira. Nas tetas a espuma faz cócegas. Com o calor da água quentinha o grelo acorda e arrebita-se.
Lembro-me dos tempos da Marinha. Dos saborosos petiscos na nigth inglesa, que foram repasto do meu cavalo, jovem e à solta.
Lá fora, sei que está frio porque a neve continua nos telhados e no lameiro.
Sabendo isto, tem mais sabor o quentinho da água da banheira.
Da sala chega-me a voz da minha mulher a falar com a nossa neta Noélia de sete meses e meio.
“ Estás rabugenta! Estás farta de estar na aranha? Já te ponho na manta do chão para poderes fazer ginástica, rebolar esbracejar e espernear à tua vontade. Oh com um catano! Já estás outra vez junto ao móvel! Caramba que não paras! “
Criança parada é mau sinal. Querer criança saudável paradinha, sossegadinha? – Será o mesmo que querer um leão sentadinho a ver televisão. só amarrando-o a um poste… Penso.
A neta responde-lhe com um papa, que não sei se quer dizer papá de pai, ou papa de comer. A chamar pelo Papa chefe dos cristãos não é com certeza…
Volto à minha Marinha.
“Se tivesse ficado por lá, já estaria reformado a gozar à grande e à francesa”, penso.
No Vale da Amoreira onde tenho a minha sede, habitam também alguns dos meus ex. Colegas. E em contacto periódico que com eles tenho mantido, fui sabendo que há já muito tempo, muitos anos, com a frequência nos diversos cursos se tornaram Sargentos.
Alguns, por terem participado em comissões especiais, beneficiaram de bonificações de tempo e já se encontram reformados.
Eu, como não me tenho nem por mais burro, nem por mais esperto, certamente teria passado por tudo isso, e agora estaria nessa dourada situação, a gozar o saboroso estatuto… Assim tenho que por aqui continuar a malhar no ferro dos tubos…
Poderia ter continuado. Cheguei a meter os papéis. Acabei por decidir sair. Foi a minha opção portanto não adianta chorar sobre leite derramado…
“Que raio, outra vez?! Já me doi as costas de tanto me baixar para te ir buscar .“
“A guerra continua. Ainda bem porque assim tens com que te entreteres , senão morrerias ao pasmo, a cismar em coisas e loisas”, penso, enquanto me seco.
Saio. Na sala, a Tv. passa algo que não sei do que se trata.
Não me cheira a grande coisa…Em poucos segundos, concluo que não me interessa.
Vou para o computador.
E aqui estou, a dedilhar para registar, esta coisa em forma de desabafo.
Agora com as baterias bem carregadas estou pronto. Prontíssimo!
Noutros tempos seria para a nigth. Hoje vai ser para a sossega, que estes meus cansados ossos por vezes rangendo já reclamam.

Abril de 2010

1 Comentário »

  1. e um desabafo que deu gosto ler. Concerto da Mariza, fizeste bem e quanto ao trabalho, aceita as vicissitudes e como sempre foste trabalhador e lutador não passa de um mero aliviar de alma:)

    Banho quentinho e lá fora um frio de rachar…e neve ohhhhhhhh neve que maravilha, mas deves estar farto e nada como desviar o pensamento e audição para a neta…a nossa continuidade:)

    Foi bom vir até aqui e escutei o teu desabafo.

    Uma beijoca extensível a toda a família

    Comentar por Fatyly — Março 17, 2010 @ 10:22 am | Responder


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