Entra ou Sai

Janeiro 7, 2010

Hoje nada me interessa

Filed under: POESIA — carva55 @ 8:44 pm
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Hoje nada me interessa…

Podem morrer mil
Podem nascer outros mil.

Pode um rio transbordar
Pode um mar se revoltar
E casas arrastar
E árvores arrancar .

Pode cair o Carmo e a Trindade.
Podem comboios descarrilar.
De manhã e à tarde.

Hoje nada me interessa.

Sei que se nada disto acontecer
Hoje vou ver
O que já vi ontem.
E amanhã para ver
Só haverá
O que vi hoje
O hoje
Que amanhã já é ontem.

Malditos telejornais
Que nada informam.
Anunciam umas coisas sensacionais
Ao abrir antes e depois dos longos intervalos
Coisas para ver lá mais à frente.
Repetem repetem e tornam
A Repetir! __ Lá mais à frente__
Isto e aquilo vão ver lá mais à frente.

E eu, Zé povo, espero.
Espero e desespero.
E nem antes nem depois, só lá para o fim.
E quando lá vem
Por fim
Nem é nada de especial
Foi só um isco afinal.

Isto é terrorismo!
Meus senhores! Terrorismo
Desinformativo!
Que a tanto obrigam as malditas
Guerras das audiências.

Mas hoje estou farto
E já nada me interessa
E digo:
Basta!!!

Vou mais cedo
Para a cama carregar as baterias
Que o meu tempo de sono
Não merecem estas porcarias.

Felizmente que tenho mais!
Muitos mais canais.

Amanhã vou sintonizar a Rai. Falam Italiano
Mas não me levam ao engano.

De um lado
O orelhudo
Do outro lado
O engelhado.

Cada qual em seu lado
É de tudo isto o culpado.

Ó orelhudo!
Ó engelhado! Tão cedo
Não papo mais
As vossas imitações de telejornais.

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Heróis

Filed under: POESIA — carva55 @ 8:24 pm
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As cabeças
Pensantes
Das pessoas
Conscientes
Pensam
E os medos emergem.

As cabeças
Pensantes
Das pessoas
Conscientes
Nunca gerarão
Heróis voluntários.

Assim sendo
E bem vendo
Todos são e serão
Heróis ocasionais.
E nunca serão
Heróis intencionais.

De preferência

Quero ser um cão!
Rafeiro
De preferência!
Para não ter a obrigação
De abanar o rabo
À constante
E crescente
Vivência
Conspurcada
Impregnada
E fecundada
De indecência
E maledicência
Desta
E daquela gente

Já me basta a chatice
De ter que enxotar
Ou aturar
Tanta ratice!
Tanta imundice!
Moscas moscardos
E mosquitos
Que me rondam
O traseiro
Estorvam
Nos tomatos
E irritam o seu vizinho
A todo o instante
Durante
Os seus legítimos actos.

Quanto baste

Filed under: POESIA — carva55 @ 7:14 pm
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Quanto baste
Tenho tudo fixo
No lugar
E com as devidas
Medias.
Nada a chocalhar.

Tenho saúde pão na mesa e salário em dia.

Que mais
Poderei
Eu querer?
Que mais
deverei
Eu desejar?

Se há tantos
Por muito
mais a sofrer.
Se há tantos
Por muito
Mais a chorar.

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