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Março 27, 2009

Quando eu morrer

Filed under: POESIA — carva55 @ 6:26 pm
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Fotos da NET

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Quando eu morrer, ou quando vós pensardes que morri
Por deixar de sorrir
Cremai-me sem dó nem piedade pois que morto estarei
E já nada sentirei.

Ou então, se o petróleo
Para acender o fogareiro
For muito caro (já está pela hora da morte!!!)
Enterrai-me, mas despido!

Repito
Despido!
Não nu, não vá eu escandalizar as coitadas
Das anjinhas.

Mas, para lhes aguçar o apetite (que o olho também come!!!)
Enfiai-me umas cuecas de gola curta
Que realcem com um bom relevo
E um porte altivo
Aquele meu amigo
Que desde sempre me acompanha
E por muitos nomes é conhecido.

Os meus poucos fatos e as minhas
Poucas gravatas
Que eu sempre detestei
Dai-as ao primeiro pedinte que encontrardes
E que queira aceitar.

As minhas cinzas
Com certeza
Que não vestem nem casaco nem calça
Nem precisam de gravatas
Como enfeites, essas coisas de alindar
Com certeza vão dispensar.

As minhas cinzas
Soltai-as
Aos ventos deitai-as
Livres, livres, deixai-as.

Talvez elas
Se transformem e delas
Nasçam duendes
Bobos
Palhaços
Flores
Cheiros
Cores
Que como bálsamo
Ou poção mágica alegrem o viver e curem as dores
Das chagas, das gentes do mundo.

O que restar de mim, onde quer que esteja
Sentar-se – à numa esplanada
A bater palmas
A regar a goela
Com uma cerveja
Bem gelada.
Num brinde direi: __ À saúde! Tua
Minha
E de todos em geral!

Cá vos espero
De preferência pelo Carnaval.

Julho de 2005

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