Entra ou Sai

Dezembro 18, 2008

Pela surdina

Filed under: POESIA — carva55 @ 4:29 pm
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 Da Net

Três e tal da matina .
De casa zarpo pela surdina .
Por elas , outrora donzelas
Agora carcaças cheias de mazelas
Pela noite vagueando , vão sobrevivendo
Vícios e oportunismos alimentando
Em ruas e vielas depressa passo e chego à fábrica num instante .
Pela porta principal entro como pelo portal dum antro .
Lá dentro seres maquiavélicos?
Não ! São apenas uns coitados esqueléticos depenados .
Não respondem ao meu cumprimento
Nem se aperceberam que cheguei ! Estão sisudos
E mudos como defuntos .
No trabalho estão a pensar
Que logo , mais logo , as máquinas essas malvadas
Começam a caminhar .
No ar só o roncar
Dos motores gemendo de dores .
E eles , os tais , como duendes sonâmbulos
Cambaleando , vagueando … ,
Caminham , labutam , autómatos
Como robôs e não gente .
Vinte para as sete , o ambiente muda num instante .
Chega mais gente , é o pessoal do horário normal
E não o do turno anormal .
Mas eis que uma suave aragem se aproxima
A Rosinha se avizinha .
Não a dos limões mas aquela de voz
Que nem é aguda nem grave
É agradável ! Simplesmente melodiosa !
Caminha airosa , sorridente como sempre .
É a única presença feminina por estas paragens .
E que bela que vem !Com aquela camisola
Florida , multicolorida
Decorada com reluzentes borboletas .
E de pronto desta treta me isola
Até que a sirene toca e me consola .
E é o fim meu amigo …
O fim de mais um dia perdido
Como fumo no vento desvanecido .
Transponho – me pela porta de saída
Que me conduz à luz …
Essa luz que me seduz .
Ah ! Quanto me apraz
Deixar para trás
Aquele ambiente
Pesadamente conturbado
Como mar encrespado .
Parto lentamente , vagarosamente
Deliciando – me a observar o cair das folhas
Neste início de Outono .
Ah ! Cão raivoso ! Cão danado ! Agora és de ti dono .
Paro no miradoiro a contemplar lá mais abaixo
A cidade que dorme .
Oh ! Que silêncio de oiro !
Só perturbado pelo roncar
De um motor acelerado que passa .
Vai desesperado ! Talvez fugindo da vizinha estrada da desgraça .
Pelo tejadilho entra uma brisa agradável que me refresca
A careca , as ideias aclara e me relaxa .
Que bom ! Tal e qual como quando
Em teus braços me enleias . Agora sim , satisfeito
Refeito no repasto
Parto confiante em busca do ideal desconhecido .

In, __Entre o Ter e o Querer

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