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Dezembro 18, 2008

Cometa tresmalhado e lixado

Filed under: POESIA — carva55 @ 4:35 pm
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 Da Net Da Net
Sou um cometa tresmalhado
Solitário e lixado
Em órbita descoordenada
Vagueando no insípido vácuo do nada .
Plano para me orientar
E melhor rumo tomar.
Reparo no caudal de charme
Que brota de ti , como água cristalina
De fonte . E desejo que me toque
Me acaricie , afague
E rompa esta solidão de cometa vagabundo .
Olhas – me de soslaio mas não me tocas
Ignoras simplesmente esta minha ânsia
Que é desejo ardente .
Beijo – te sem te ter !
Ah ! Maravilhosa sensação !
Já te sinto aqui na mão !
E eu cometa errante
Entro em transe
Êxtase total !
E começo a delirar , a alucinar , a sonhar !
Pelos areais dos teus desertos rebolar
Em tuas selvas me embrenhar
Nas tuas grutas pernoitar .
E sem dar conta de mim parto em viagem .
Mordisco ao de leve o teu lóbulo
Assopro com suavidade esse teu alpendre
Altivo deslumbrante !
Desço , e em voo de ritmo lento
A saborear o momento
Circundo a tua cabaça de néctar
Até ao núcleo rosado
De átomo magnetizado
Que me atrai .
Desço ainda mais abaixo
Em busca do resto do cordão umbilical
Que ficou ao nascer , desse Ser que és tu .
Espreito e finalmente o acho .
Chupo – o e afago – o .
Mudo de rumo
E desço a prumo
Por essa rampa feita coxa
Até à rótula torneada
E a brindo com um beijo
Num ritual sensual .
Retorno em sentido inverso
E paro no lugar povoado
Circundado por denso e frondoso matagal .
No cruzamento da praça principal
Paro para contabilizar
O teu grau de passividade ou actividade .
Se os piscas – piscas dos sinais
Forem cinquenta e tais ;
Então posso avançar
Sem nada recear
Nem o monstro das sete cabeças
Me há – de amedrontar
Temerário o hei – de enfrentar .
Senão , com um lápis e lousa
Na mão ( que é “cousa” boa )
Ponho – me e ponho – te
A fazer contas com um só número
Para ganhar tempo e alento .
Vislumbro uma caravela com as suas velas aparelhadas
Prontas a serem desfraldadas ao vento .
Apetece – me viajar , nela navegar .
Já nela instalado e depois de ter saboreado
O doce embalar das cristas das ondas
Lembro – me da minha burra a carriça
Pequena e roliça
E também da égua da minha prima
Que era coisa fina !
Opto por esta
E mentalmente a monto .
Por trás prás espaldas lhe salto
Às crinas sedosas me agarro
A cavalgar a incito
E ponho – me a observar a volúpia
Dessa Deusa do prazer
No seu saltar , no seu correr .
Para cima e para baixo
Para a esquerda e para a direita
Por lajas e fragas
Saltando e correndo
Continuo delirando ! Alucinando ! Sonhando !
Caio e desperto deste enlevo
Delicioso e envolvente que me enfeitiça !
Sonho ? Delírio ? Sei lá !
Seja o que for é lindo !
Não é grande nem pequeno
Somente do tamanho
Dum cometa feito homem de agora e de antanho .
Refeito e satisfeito no repasto
Retorno à minha órbita descoordenada
Condenado a continuar a vaguear
No insípido vácuo do nada .

6 / 97 In, __ Entre o Ter e o Querer

1 Comentário »

  1. Mais concretamente nas páginas 125, 126 e 127:))) Um magnífico poema e bem real!

    Gostei imenso do teu livro e é difícil dizer qual dos poemas gostei mais:) Parabéns!

    Um xicoração para ti e para toda a família e já agora
    UM FELIZ NATAL e que 2009 NÃO SEJA TÃO MAU COMO APREGOAM!

    Comentar por Fatyly — Dezembro 19, 2008 @ 1:22 pm | Responder


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