Entra ou Sai

Novembro 17, 2008

Vagueando no Real

burroÀs três e um quarto começa o meu tormento no silêncio do meu quarto.
Levanto – me. São horas de levantar para ir trabalhar!
Quem se terá lembrado disto inventar?
O autor deste invento deve ter pensado: __Ai eles querem mais dinheiro? Começam mais cedo a mola a vergar __.
O quê? ficam empenados, depenados? Não faz mal são só estrangeiros carne para canhão! Quando estiverem a cair de maduros dá – se – lhes um empurrão lá para o fundo do caixão.
Ficam bonitos assim tão duros!
Não é horário de padeiro, muito menos de carteiro.
Será que valem este penar estas moedas furadas como migalhas no bolso a tilintar?
Chego à rua, cresce a minha raiva, olho para o carro coberto de neve que eu enxoto ao de leve.
Olha, olha! Também o Saraiva para o seu carro entrou. Está do seu rabo a neve a sacudir, de frio a tinir, o frio o enganou, primeiro se sentou.
Abro o ferrolho da minha cavalariça. Antes era só a minha burra, a carriça, hoje são cento e quarenta cavalos.
Todos me olham espantados! Uns abanam o rabo em sinal de cumprimento, outros arregalam só um olho tal como eu, não gostaram de largar a cama sem chegar a pregar o olho.
Pico – os com as esporas. Foi pior que os pôr a puxar noras!
Gritai, gritai, basta eu que não posso dizer nem ai.
Dez horas da manhã. Com sono sonâmbulo cambaleio para a esquerda e para a direita a espinha é que não pode estar direita tenho que a vergar como espiral de mola.
Apalpo a minha tola, é só o que me resta! Eu penso que ainda está para as curvas mas será que ainda presta?
Vou ao W. C., evito olhar para o espelho para não ver. O quê? O arco-íris que circunda os meus olhos. De sono empolados sei que agora estão: azuis, amarelos e outras cores.
Lá dentro na íris sinto dores. Chega a pausa, meia hora para algo roer e o trabalho esquecer. Sem apetite olho para as sardinhas na lata entaladinhas.
A cerveja, (que nem uma pode ser), tenho que poupar. A garrafa já vai meia! Na pança vazia é só azia!
Já é de tarde quando chego a casa. Vou para a cama para tentar dormir. Mas como? Se até consigo ouvir os insectos a zumbir. Com estas trocas e baldrocas o meu cérebro anda embaralhado.
Desligo o radar para tentar não captar o barulhão que vem lá do alto da serra. Será uma moto – serra? Não sei, só sei que na cabeça algo me martela.
Levanto – me e tomo um banho.
Amanhã outro dia igual a tantos outros nesta vida sofrida.
E assim se passam os anos! E lentamente cada dia que passa envelhecemos mais um pouco consumidos pelos desgostos e os enganos.

1 Comentário »

  1. Li, reli e tornei a ler e fizeste-me pensar muito, mas muito mesmo nos conflitos interiores que sentes, que sentimos, que os mais novos sentem.
    Ca raio de coisa e rebobino o passado.
    Hoje tens, tenho, temos carro. Outrora os nossos pais e avós tinham o quê?
    “E assim se passam os anos”…como é óbvio e lamentamo-nos de barriga cheia e com um trabalho entre mãos e a “arte pesada dos nossos pais”?
    e ficaria o resto do dia…mas quer nos meus avós, quer nos meus pais, quer nos velhinhos que ainda estão nas suas casinhas, apanhando umas couvinhas, acendendo o burralho…nunca ouvi uma palavra de desgosto, de saturação e havia e há sempre um sorriso sem qualquer vergonha por vezes onde não existe um dente sequer para contar a história do pão que comeram amassado pelo diabo.
    Há 90 anos que terminou a 2ª. guerra mundial e encontramo-nos envolvidos numa crise, mas ACREDITO E NEGO-ME A BAIXAR OS BRAÇOS, não vagueando, MAS VIVENDO NA DURA REALIDADE VENCENDO UM DIA DE CADA VEZ, usando a minha imaginação e dando graças a deus de ter sido poupada à chacina de Angola e ter tido tempo para conhecer as minhas netas.
    Amanhã? não sei se acordarei, mas se acordar…direi como digo todos o dias: Mais um dia e toca de ir à luta, quanto mais não seja puxando para cima os pessimistas.

    Uma beijoca muita grande do teu Portugal também:)

    Comentar por Fatyly — Novembro 17, 2008 @ 5:39 pm | Responder


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