Entra ou Sai

Agosto 9, 2008

Cavalo à solta

Filed under: COISAS MINHAS — carva55 @ 12:51 pm
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Ontem, sexta-feira, fui até Lagoa no Algarve, à festa da cerveja.
Actuavam lá os meus muito queridos __U.H.F.__.
Estando eu de férias no Carvoeiro que fica ali bem perto, foi sopa no mel, aproveitei logo aquela oportunidade.
“ Nos bastidores, em conversa colectiva porque a isso a etiqueta obriga, e há que satisfazer as múltiplas solicitações dos fãs, em palavras circunstanciais, perguntaste: “__Então, gostaste?”__ “Sim claro! Respondi. “
Agora cá para nós, __ digo-te mais: Digo-te que foi noite de pança cheia!
Obrigado ó Ribeiro, por aquela lição poética. Só tu és capaz porque és único! O melhor poeta! Dos vivos e dos mortos, dos de cá e dos de lá, onde quer que seja esse __lá __.
E, já sabes porque já te disse, para a próxima vez que vires no outro lado a minha careca a brilhar, __dá-me um bilhete pró inferno…, __ que eu pego na trouxa, dou uma saltada e vou até lá de férias.
Cheguei a casa pela madrugada.
Logo de seguida chegaram uns vizinhos muito barulhentos. Uns alegres a cantar, outros a discutir, todos a baterem as portas, alguém vomita.
Sinto saudades do silêncio que habitualmente reina naquela rua da Suíça onde moro.
Tendo em conta que no Algarve impera o turismo, apetece-me gritar-lhes: Caluda! Ruhig! Schweigen! Silence !
Mas, para quê, se outros virão, e ruidosos continuarão? Será como remar contra a maré e se calhar eu é que estou deslocado neste espaço.
Por cima, correm águas. Alguém toma duche, parece-me.
Vindo não sei bem de onde ouço um ranger característico. Mexo-me na minha cama a testá-la e a comparar os sons. Sim, é isso mesmo que pensei, concluo.
Chega mais uma revoada de vizinhos, (parece que chegou a camioneta da carreira!) e para não variar, também estes são barulhentos.
Para ajudar à festa vêm acompanhados por um par de canitos, __nota-se a diferença no tom do ladrar. E pelo “ éu-éu “ nota-se também que são de raça pequena, senão seria com um “ ão-ão “que se apresentariam em palco.
Fazem-me lembrar aquelas espécimes caninas que as más-línguas invejosas diziam que eram uns lambe-lambe e com isso faziam concorrência a muita boa gente! Mudaram os tempos e com eles vieram novas modas com artefactos especiais: enrugados, rotativos vibradores, coloridos, etc.
Mais uma vez o meu vizinho galo, que mora ali por perto, bem cedo, certinho como um relógio, a uma cadência impressionante começou a cantar e com o seu “corÓcocÓ”me despertou.
Volto-me para o meu melhor lado e espero que o sono apareça. Mas neste ambiente hostil torna-se impossível e com os olhos escancarados, acontece uma grande branca do tamanho da brancura da parede…
Tenho andado a dormir pouquíssimo. Já tentei carregar as baterias com uma sesta mas a algazarra e o barulho das pessoas na piscina do condomínio tem impedido esse meu intento.
O melhor é ir para a praia, talvez lá consiga dormir mais um pouco, pensei.
Meto pernas ao caminho, mas antes procedo ao dejejum e faço uma visita a um quiosque a fim de comprar postais e algo para ler. Apanho alguns e às tantas: “Olha este que lindo! A paisagem e até a posição é a mesma, mas tem cores mais bonitas.” Levo este, penso.
Ao devolver o outro ao expositor reparo que muda de cores. Ora que porra! É o brilho do sol reflectido no branco do casario frontal que em conjunto com o do postal provoca aquela confusão. Confusão? Talvez não. Porque toda a ignorância se justifica enquanto um qualquer__ ignoro__não for identificado, de branco passa a preto, de elefante passa a camelo …, etc. E tal.
Àquela hora ainda estava quase deserta com apenas algumas dúzias de pessoas.
Alguns casalinhos de pombinhos, arrolhando enroladinhos, talvez ainda digerindo algum saboroso repasto!
Alguns “ casalões “ dessintonizados e dessincronizados enrufando!
Monto o meu estaminé e de bruços preparo-me para bater uma soneca.
Passado um instante ouço um som que conheço muito bem. Alguém está a ressonar. Ora que porra, só me faltava esta, por esta é que eu não contava, Até aqui tão longe e logo na praia!
Lamento, é pena, interfere e estraga a bela melodia que vinha envolta no enrolar das ondas do mar e no grasnar das gaivotas que por ali se viam a voar.
Lembro-me da minha esposa que habitualmente também toca esta música. É tão grande a tortura que às vezes levanto-me e vou para a sala tentando escapar. É grande o espaço mas nem assim me safo. Ouve-se como uma malhadeira numa eira dos tempos idos.
Reparo que uma vizinha também já se tinha apercebido disto e os nossos olhares se cruzam e parecem dizer: “sim, é verdade, eu ouvi, tu ouviste, logo não estamos alucinados.”
Tentando afugentar um insecto qualquer que me ronda a penca do nariz e parece querer espreitar lá para dentro, __tal é a pouca vergonha!
Franzo o nariz. Fecho os olhos e eis que ele volta à carga. Mesmo de olhos fechados repito a dose e devido à luz fortíssima do sol vejo umas cores lindas, um verdadeiro arco-íris multicolorido. Com isso devo de ter feito umas caretas esquisitas pois que ao abrir os olhos deparo-me com um sorriso, (por sinal encantador) da minha vizinha.
Ponho-me de cu para o ar e __à cão__, com as mãos junto a areia, faço uma cadeira.
Muito bem instalado, com um livro preparado para ser “devorado” reparo que mais uma vez a dita vizinha acompanhou aquela minha tarefa. Ri-se, talvez pensando em posições similares, dela, ou de alguém.
“ Este gajo deve ser louco, __ certamente pensará “. Que me importa? Ela não sabe nem nunca saberá que esta minha santa loucura não me incomoda, porque nada me dói.
Que pense o que quiser.
Algumas vezes já me fiz de burro, noutras já me fizeram de camelo. E eu que até já me julguei ovelha tresmalhada e prenhe, abóbora oca, já engoli sapos vivos, já comi pão duro e bolorento, já fui de tudo um pouco, certamente já estou vacinado.
Junto à costa navega uma embarcação que me faz lembrar as fotos que atestam como eram as naus de madeira e à vela usadas nas descobertas pelos valentes marinheiros. Só que esta deve de ser de plástico e vinda da China ou redondezas.
Um gaiato esgueira-se em direcção à água. “Michel. Vient ici, Tu não ouves? Ó meu grande filho da p… “ a fulana ligou o radar a tempo, lembrou-se que
estava em Portugal arrepiou caminho e não concluiu.
Decido ir testar a temperatura da água. Está tão fria que os dedos encurvam, o grelo arrebita-se__ talvez tentando fugir àquela tortura molhada e fria.
Mais tarde penso que não posso de maneira nenhuma ter vindo até ao Algarve e não tomar banho neste mar tão afamado. Volto e lentamente milímetro a milímetro vou entrando e cada cabelo, cada poro da minha pele se zanga, mas finalmente consegui.
Na areia, o espaço lentamente vai escasseando.
Uns pés palmilham a poucos centímetros do meu braço. Olho para cima e vejo uma mini-saia tipo tenista, deixando ver um fio dental, (que raio de nome lhe haviam de arranjar! Se fosse: lingual, dedal, ainda vá lá! Estaria relacionado com algum uso …) enfeitando umas encantadoras bordas que formam uma apetitosa paisagem.
Os pés param, e decidem abancar mesmo ali. A dona curva-se a fim de estender a toalha no pouco espaço que ali ainda existe. E eis que o mundo torna-se mais interessante…
Um puto chega molhado e ao seu grupo falando em Castelhano diz: “Está fria pero buena!”
Fria?! __ Duvido. Nestas idades costumam estar quentinhas, penso.
Um cabelo que resistiu à devastação, e glorioso ficou mesmo no centro da minha careca, na presença desta coisa __ hirto manifesta-se…
“Tem calminha, ele fala da água e tem razão, realmente está geladinha.”
Entretido com estas divagações, com a leitura, e com a música do meu iPod, a hora de almoço chega rápido.
Enrolo a trouxa e vou procurar uma manjedoura onde possa dar algo de roer a este meu cavalo que teima em querer andar desenfreado, à solta. Erva fresca certamente não será, penso. Se houver somente feno, se tiver que ser, pois que seja. É ração de combate, mas não é de combate em tempos de guerra, mas sim de tempo de paz. Paradoxo enorme! Assim como há razões que a razão desconhece, também há paradoxos dificilmente decifráveis. De momento é o que está a dar. Comer, beber e deixar tudo rolar.

Carvoeiro, 2 de Agosto de 2008

4 comentários »

  1. Hò Amigo Carmindo estives-te em lagoa e nao disses-te nada!…

    Comentar por A. Carvalho — Agosto 25, 2008 @ 6:06 pm | Responder

  2. uhf sempre

    Comentar por ds — Setembro 1, 2008 @ 11:04 pm | Responder

  3. Olà amigo! Vejo que tambem é fâ dos UHF ,a minha banda favorita!
    Tambem estou na Suiça mais propiamente em Geneve,se quizer visitar o meu blog,este é o link: http://nuno73.skyrock.com/
    Um abraço

    Comentar por NUNO — Setembro 16, 2008 @ 6:43 pm | Responder

  4. vejo que essa careca, ou o que está dentro dela, não para. os uhf em agosto vão á terra do joaquim (sobral) se estiveres por cá diz alguma coisa.
    um abraço
    reinaldo espanhol

    Comentar por reinaldo espanhol — Maio 5, 2009 @ 2:58 pm | Responder


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