Entra ou Sai

Julho 3, 2008

E a montanha pariu um rato !

Foi em Junho de 2008. A selecção Portuguesa de futebol veio até à Suíça disputar o torneio, (digo torneio e mantenho, porque cá para mim, num campeonato todos jogam contra todos e este evento funciona por sorteio de grupos, meia final, e respectiva final. Por isso fico à espera que alguém me contradiga e me esclareça.)
Foi um corrupio de cobertura mediática, uma grande chatice, direi mais: uma grande tortura aquilo que a Tvi, a televisão que adquiriu os direitos de transmissão, nos impingiu.
Ele foi cortes em programas para passar aos directos do estágio.
Ele foi nos telejornais a ver quem falava mais, a prognosticar enormes resultados, com uma grande certeza, __como no caso daquela coisa que é só baixar, arrear, e ao sair deixar cair __.
E sempre as mesmas perguntas: “ de qual jogador gostas mais? “ E quase sempre lá vinham as mesmas respostas ditas por rapariguinhas ainda com aspecto a leite, (na tv. Ainda não se sente o cheiro!) Quando questionadas sobre os porquês, justificavam as escolhas com isto: “ Ele é tão bonito!” __Como se beleza jogasse futebol ….
E assim se alienaram as massas. Assim se formaram multidões de gente que se deslocaram de longe somente à procura de um autógrafo, de um sorriso, de um aceno.
E eles, armados com a farpela de vedetas lá passavam, ora no conforto da sua”bomba”, ora no aconchego do autocarro de vidros fumados, ou a falar, ou a fingir que falavam ao telefone, a ignorarem pura e simplesmente os papalvos que alimentam aquela paranóia colectiva e lhes pagam os chorudos ganhos.
Assim se formaram enxurradas de gente que os seguiram para todo o lado. E pasme-se porque é para pasmar!!! Alguém se lembrou de cobrar bilhete para assistir ao treino. E doze mil daqueles colectivamente apaixonados, colectivamente alienados, pagaram dezasseis francos suíços, __dez euros, mais coisa menos coisa.
Logo à chegada, desde o aeroporto até ao hotel em Neuchâtel, foram escoltados por mais de dois mil motards durante mais de cem quilómetros.
Os viadutos daquela auto-estrada por onde passaram estavam forrados, de gente dependurada, que esperava a passagem do autocarro. E para matarem o tempo cozinharam, assaram, comeram e beberam o que muito bem quiseram , sem esquecerem as sardinhas e o bacalhau, __ pois claro !
À porta do hotel, o autocarro teve de circular a passo de caracol, e de polícia suíça embasbacada com tamanha coisa nunca vista! Tal era a grandeza de tamanho, de crença, de certeza na vitória final, daquela multidão.
Nos dias seguintes, alguns mais curiosos e teimosos, espreitavam pelas frinchas dos taipais que cercaram e emparedaram a zona envolvente do hotel. Outros mais idiotas , ( munidos de boas ideias quero eu dizer ) , subiram a miradoiros empunhando potentes binóculos, simplesmente esperando qualquer coisa que cheirasse a jogador bonito…
Depois foi o que se viu. Ganharam os dois primeiros jogos e surpreendentemente perderam o terceiro, com uma Suíça que já tinha sido eliminada da competição, mas que crente, cresceu, combateu e venceu o seu primeiro jogo de sempre, nesta competição.
Caiu o Carmo e a Trindade! E lá veio o treinador /seleccionador, alcunhado de “sargentão”, de pronto e em jeito epistolar, falar às hostes, __dizer que podiam ficar sossegados porque nos jogos seguintes iam jogar melhor. (Repare-se que não disse que iriam tentar). Tanta fé! Tanta convicção! Como se o futebol fosse um jogo matemático e isento de ventos adversos naturais e artificiais…).
Mais uma vez, foi o que se viu. Tinham que defrontar, __segundo alguns __, a poderosa Alemanha. O que se viu, não foi uma poderosa selecção a lutar, a jogar jogo bonito e corrido, mas sim a esperar e a jogar um jogo venenoso, mas incrivelmente concretizador e eficaz. Foi cinco vezes até à baliza portuguesa e marcou três. O mesmo tipo de jogo que usou contra a Turquia, foi três vezes, e marcou três vezes!!!
Portugal a exemplo de quando joga, mesmo nas fases de apuramento onde quase sempre se apura nos últimos instantes, entrou enfezado de medo, devagar e devagarinho, para a esquerda, para a direita e para trás, sem garra, sem ambição, sem vontade de vencer, (as tais palavras inscritas no próprio autocarro, e tão apregoadas como energia movedora). E o adversário deixando jogar. Chegou-se ao desplante da estatística anunciar, ___setenta contra trinta por cento de posse de bola! ___.
Mas isso não chega para marcar golos.
E a tragédia a adivinhar-se.
É verdade que o terceiro golo foi antecedido por uma falta estrondosa, de um empurrão a um jogador português, a tirá-lo do caminho e a ser marcado de cabeça. Falta tão escandalosa que toda a gente viu, só os árbitros é que não! Só lá para o fim é que os nossos rapazecos deram ares da sua graça e lá se viu bom futebol. Mas já era tarde. E assim, fomos impedidos de ir a prolongamento e porque se tratava de um jogo__deita fora __ fomos eliminados.
E todos pegaram na maleta e lá foram com o rabinho envergonhado, entaladinho entre as pernas.
Finalmente, foi-se tudo! Ficou apenas um silêncio constrangedor.
Foram os bruxos, adivinhos e benzedores de ocasião, caladinhos que nem ratinhos antes que alguém lhes lembrasse que as rezas e mezinhas de nada valeram.
Foram os oportunistas emplastros e afins.
Foi-se o circo televisivo com toda aquela palhaçada mediática, (que me perdoem os palhaços profissionais).
Foram os fãs logicamente desiludidos.
Foram os jogadores, __que se não concluíram deveriam de ter concluído que nomes e camisolas não marcam golos, não ganham jogos__.
Foi o treinador / seleccionador talvez sem entender, (a exemplo de outras vezes), como não resultaram as suas opções de chamar jogadores que pouco tinham jogado pelo seu respectivo clube, ou saídos de uma lesão. Talvez sem entender que as promessas às virgens e santinhas da sua devoção, não tinham resultado. Tinham sim, se transformado numa enorme montanha que pariu um rato. Ou seja: NADA!!!!!!
Mas será que esse senhor ainda não enxergou que essas forças se existem e se forem justas nunca o poderão ajudar só porque crê e promete? Porque assim seriam parciais e com tal ajuda a ele concedida, iriam prejudicar os outros, e tornar-se-iam forças interesseiras e tendenciosas.
Realmente há cada um!
Ó gente! Estamos entregues à bicharada!
Será que há por aí alguém que ainda se lembra do outro? ( O tal chamado de Tonho , que espalhava alhos e sal pelo balneário a fim de afugentar maus-olhados! __ Soube-se mais tarde ) E são estes líderes pagos a peso de ouro! Enfim….
Eis os meandros misteriosos do futebol. Óh! Futebol, futebol! __ Quanto mais te conheço, mais gosto de xadrez __.

Julho de 2008

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