Entra ou Sai

Maio 2, 2008

Bicharada Zangada

Filed under: POESIA — carva55 @ 7:01 pm
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Bicharada zangada
( Um porco encontra a sua comadre galinha)

Então comadre galinha!
Como vai a vidinha?
Bem ou não?

Olhe compadre porco,
Isto não vai nada mal.
Veja lá, que meu dono passa mal
Para me dar uns quilinhos de milho
E até de trigo!
Ai que papas mais ricas fazia!

E só para uns ovinhos me apanhar!
Tal é a pouca vergonha
Planta – se de sentinela
Quando os estou das entranhas a largar.

Antes ainda comia uma galinhita
De quando em vez, aquando das doenças
Paranóias das crenças!
Agora não! É obra da ciência!
Já não andam tão encrencados
Andam todos vacinados.

Ah! E então o compadre?

Olhe comadre,
Eu já nem sei o que pensar ou dizer.
Meu dono para um dia me comer
Enche – me tanto a pança!
Diz que é para a matança.

Olha! Olha! Lá vem o Sr. Cão.

Então Sr. Cão, como vai isso? Bem ou não?

Não, não vai bem não.
Meu dono quanto mais eu gosto
Dele, mais mal me trata.
Ele come a carne e o pão
A mim dá-me ossos com cheiro a batata.

E o nosso amigo Burro?

Burro! Esse? É só de nome!

Um dia quando o dono demais o carregou
Nem para trás olhou,
Espetou-lhe uma parelha!
Foi cá um par de coices!
Teve sorte o malvado
Apanhou-o só de lado
Se fosse em sítios tais
Ficava aos ais – ais.

De repente todos se calaram
Para a frente olharam
E viram um garboso gato
Senhor dos bigodes
Não entrando em pagodes
Botou palavra e assim falou:

__Façam como eu. Se me chama não oiço,
Se algo me ordena não faço.
Quem pensa que sou?
Não sou artista nem palhaço
Pró circo não vou
A mim não doma
Em mim não pega a sua goma__.

Todos se entreolharam,
Um silêncio sepulcral se fez sentir
E como o retinir
De campainhas, naquelas cabeças martelou.

Depois de um pouco pensar
Todos concluíram como actuar.

Para mim acabou
Não come mais ovos que eu ponha!
Nem mais um lhe dou!
Haja vergonha.

E eu não corro mais,
Não dou nem mais um passo,
Nem mais um coelho eu caço,
Jamais!

E eu porco sou
Mas parvo não.
Vai ver quem sou
Dou – lhe um safanão
Com o meu focinho
Que o ature o meu vizinho.

In, Entre o Ter e o Querer , julho 2000

1 Comentário »

  1. Quanta originalidade:) fantástico!

    Uma beijoca

    Comentar por Fatyly — Maio 5, 2008 @ 11:04 am | Responder


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