Entra ou Sai

Maio 8, 2008

Mãe Galinha

Filed under: POESIA — carva55 @ 4:19 pm
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Mãe , teu ventre me gerou
E o berço me embalou .
Teu doce falar
Ao acarinhar
Teu saber grandioso
Para a vida me soube preparar
Fazendo de mim trabalhador
Lutador
E não ocioso
preguiçoso .

No ventre me transportaste
Imagino quanto peso carregaste !
Quantos sacrifícios passaste !
Tantos filhos criaste !

Mãe , sei que meu silêncio te faz sofrer.
Olha , não é palavra vã
Mesmo , mesmo amanhã
Te vou escrever .

E para alegrar teu coração
Sem mais demora
Que já é hora
A carta mando de avião .

In, __ Entre O Ter e o Querer__, Julho 2000

Maio 4, 2008

Ser Mãe

Filed under: POESIA — carva55 @ 10:57 am
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Ser mãe, é na essência da palavra
A máxima consagração
Da condição
Feminina de ser mulher.

Ser mãe, é o despertar de um sonho
Tantas vezes sonhado!

Ser mãe, é o concretizar de um desejo
Que ansiosamente transportava no peito.

Ser mãe, é o florir de uma roseira
Lindas e charmosas rosas!

Ser mãe, não é só o gozar ao fazer um filho
Que ao pari – lo
Como cadela danada o enjeita e atira
Para a sarjeta da vida
Tal como algo putrefacto
Um velho e roto trapo.

Ser mãe, é dar – lhe o seu sangue, uma vida.

Ser mãe, é estar do seu lado
Vigilante a todo o instante
Para que nada falte ao seu filho
Tão querido, tão amado!

Ser mãe, é isso e muito mais!
É em silêncio sofrer sem ais…

É rir de contente
Do mais pequeno instante
Que faz feliz
O seu petiz.

Ser mãe, é defender até à morte
O seu filhote
Como a loba ferozmente com valentia
Defende a sua cria.

A todas vós mães e avós
Mães galinhas extremosas
Mulheres de todo o mundo
Neste dia em todo lado comemorado
Vos peço perdão pela demora
Mas aqui e agora
Vos rendo vassalagem
Me curvo à vossa passagem.

E ao lembrar – me de minha mãe
Velhinha, lá longe sozinha
No seu cantinho
No silêncio do meu quarto
Meus olhos choram lágrimas silenciosas
Que molham e deslizam pelo meu rosto devagarinho.

São mágoas
Águas derramadas
Que eu seco com o meu lenço
De linho.

Se é feio um homem chorar, não me importo de ser feio.
——–
Maio de 1994
In, __ Entre o Ter e o Querer__ Julho 2000

Maio 2, 2008

Bicharada Zangada

Filed under: POESIA — carva55 @ 7:01 pm
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Bicharada zangada
( Um porco encontra a sua comadre galinha)

Então comadre galinha!
Como vai a vidinha?
Bem ou não?

Olhe compadre porco,
Isto não vai nada mal.
Veja lá, que meu dono passa mal
Para me dar uns quilinhos de milho
E até de trigo!
Ai que papas mais ricas fazia!

E só para uns ovinhos me apanhar!
Tal é a pouca vergonha
Planta – se de sentinela
Quando os estou das entranhas a largar.

Antes ainda comia uma galinhita
De quando em vez, aquando das doenças
Paranóias das crenças!
Agora não! É obra da ciência!
Já não andam tão encrencados
Andam todos vacinados.

Ah! E então o compadre?

Olhe comadre,
Eu já nem sei o que pensar ou dizer.
Meu dono para um dia me comer
Enche – me tanto a pança!
Diz que é para a matança.

Olha! Olha! Lá vem o Sr. Cão.

Então Sr. Cão, como vai isso? Bem ou não?

Não, não vai bem não.
Meu dono quanto mais eu gosto
Dele, mais mal me trata.
Ele come a carne e o pão
A mim dá-me ossos com cheiro a batata.

E o nosso amigo Burro?

Burro! Esse? É só de nome!

Um dia quando o dono demais o carregou
Nem para trás olhou,
Espetou-lhe uma parelha!
Foi cá um par de coices!
Teve sorte o malvado
Apanhou-o só de lado
Se fosse em sítios tais
Ficava aos ais – ais.

De repente todos se calaram
Para a frente olharam
E viram um garboso gato
Senhor dos bigodes
Não entrando em pagodes
Botou palavra e assim falou:

__Façam como eu. Se me chama não oiço,
Se algo me ordena não faço.
Quem pensa que sou?
Não sou artista nem palhaço
Pró circo não vou
A mim não doma
Em mim não pega a sua goma__.

Todos se entreolharam,
Um silêncio sepulcral se fez sentir
E como o retinir
De campainhas, naquelas cabeças martelou.

Depois de um pouco pensar
Todos concluíram como actuar.

Para mim acabou
Não come mais ovos que eu ponha!
Nem mais um lhe dou!
Haja vergonha.

E eu não corro mais,
Não dou nem mais um passo,
Nem mais um coelho eu caço,
Jamais!

E eu porco sou
Mas parvo não.
Vai ver quem sou
Dou – lhe um safanão
Com o meu focinho
Que o ature o meu vizinho.

In, Entre o Ter e o Querer , julho 2000

Pois é

Filed under: POESIA,Uncategorized — carva55 @ 6:23 pm
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É tão verdade
Que não há carecas burros
Como verdade é
Que há muitos burros carecas !

E eu que careca sou e algo de burro também
Estou à vontade
Para falar desta realidade
A muitos filhos da mãe !

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