Entra ou Sai

Novembro 10, 2007

Sornice

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São três e meia da tarde de sábado do dia dez de Novembro de dois mil e sete.
Lá fora, o tempo tem um aspecto farrusco.
Lá em cima no alto da serra passa uma mancha enevoada de onde cai neve. No chão vê-se bem nítida a sua brancura.
Cá em baixo, embrulhados no vento que irritado assopra e faz os meus estores metálicos queixarem-se dos seus safanões,
passam uns flocos de neve que logo derretem.
Aqui na sala, as Tvs., como habitualmente, (e talvez para não variar), estão a passar uns programas que parecem terem sido copiados a papel químico, tal é a semelhança dos seus modelos.
Os pássaros, __Agapornis__, a quem os Ingleses chamam de “ pássaros do amor “ estão enrolados, já preparados para baterem uma rica sesta.
Os peixes, de pança cheia nadam calmos. Alguns nem sequer nadam, flutuam apenas.
Chega-me uma sornice que me torna amorfo, sem que nada de jeito me apeteça fazer.
Penso e visiono o “filme”. Ali ao lado na Caravela certamente que acontece o normal habitual. No espaço que é bar e também salão de jogos, um par a jogar bilhar, alguns a jogar cartas. No restaurante, a esta hora, estará algum retardado a lamber-se nos restos do almoço.
Na casa do Benfica a esta hora já as cartas fervilham nas mãos e saltam para a mesa. As setas voam apressadas em direcção à máquina dos pontos. A Tv. está sintonizada no sporTv. e no futebol Inglês. __ Porque é por lá que anda a brilhar o nosso Cristiano Ronaldo! __.
Os jornais, abandonados, amontoados, lá estão a forrar a máquina do tabaco, esperando um folhear, um simples olhar.
“Coitados de vós …, bem podeis esperar sentados! “

O ambiente do Centro é-me mais difícil calcular pois que ultimamente tem andado muito irregular.
E eu aqui estou sem saber que fazer.
Pego no livro que ando a ler e depressa o lanço para o sofá. “Não, por agora não vou chatear-me mais com esta porcaria. Mas hei-de acabar de te ler,” penso eu, olhando-o.
Dizem que já vendeu carradas de resmas, mas é a maior porcaria que já li até hoje.
Os autores dizem – me para não pensar nas dividas. “ Que antes de abrir a caixa do correio devo pensar sempre que vou encontrar lá dentro arrumadinhos cheques com dinheiro fresquinho e vindo de desconhecidos. Que se eu não pensar nas dividas elas não aparecem.”
Ora eu penso que ninguém dá nada a ninguém. Mesmo quem dá esmolas, está sempre esperando receber algo em troca, nem que seja algo vindo de um santinho qualquer.
Que treta! Elas, __as dividas__, existem porque eu as contraí . Por isso, quer eu pense nelas ou não, as facturas vão continuar a chegar até que tudo seja pago.
“Que os meus pensamentos são como ímanes que atraem as coisas, boas e as más. Que geram ondas de frequência que se espalham pelo Universo e reúnem as pessoas que podem influenciar.”
Um deles diz que conseguiu ter a casa que anos antes tinha pintado numa tela. Um casarão de muito milhão!
Outro diz que ao olhar para os carrões de sonho devo pensar: “ vou ter um igual, vou ter um igual, __devo pensar muitas vezes e assim um dia vou ter um igualzinho!”
Garantem sem vergonha e com muita certeza!
Será por causa desta treta de pensamentos que muitos se cansam de esperar, passam-se dos carretos e entram numa onda de crime? E aí chegados, com isso, compram sim os tais carrões e casarões!
Ora que porra! Já agora digam que tudo se resume em ter ou não ter a tal lâmpada mágica e o tal gajo que ao esfregá-la faz aparecer materializados todos os nossos sonhos.
Àqueles que é costume andarem tesos, por falta de dinheiro dizem que não devem pensar na sua falta, mas que devem dar algum e pensar que já têm muito, que já têm o suficiente e assim vão atrair e conseguir ter muito mais dinheiro!
Enfim…! E assim se fazem fortunas usando o desconhecido e abusando dos desgraçados inconformados que tudo aproveitam para ver se algo de bom muda nas suas vidas. São apenas mais uma fornada a juntar aos bruxos, videntes, e similares.
Já me esquecia de dizer que esta fornada de papões é a autora e colaboradores na feitura do livro, __ The Secret __, o segredo, que de segredo para mim não tem nada de nada de secreto nem de aproveitável.
Não acredito no invisível, acredito somente no palpável.
Que hei-de fazer? Tenho umas mãos muito curiosas! E uns neurónios pouco ou nada influenciáveis.

Pois é rapaz. Tens que sair dessa morrinha e preparar a segunda – feira que já está perto, porque as férias estão a chegar ao fim e tens que ir fresquinho vergar a mola.
Para arrebitar, coloco na aparelhagem uma salada musical composta por: Whitesnake, Bon Jovi, John Mellencamp, Sunrise, Sammy Hagar e mais alguns “amigos”que certamente me elevarão a um estado tal, que me ajudarão a resistir a estes ventos adversos, penso.

1 Comentário »

  1. Estou perante uma narrativa cheia de tudo. A realidade é o que narras e as tretas que nos impingem são as tais coisas nocivas “quero, quero, quero e terás” claro que sim mas para isso há que trabalhar, fazer bem as contas à vida antes de partir pra outra dívida.

    O tempo aqui está esquisito, sem os “farrapinhos de neve” mas com poeira e mais poeira esperando uma estocada de chuva para limpar as alergias.

    Parabéns escritor e foi tão bom vir até aqui.

    Beijocas

    Comentar por Fatyly — Novembro 11, 2007 @ 10:14 am | Responder


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