Entra ou Sai

Outubro 10, 2007

Só, estou só !Eu e esta chuva

Filed under: POESIA — carva55 @ 6:54 pm
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Chove, chove
Há tanto tempo que chove!

Que silêncio!
Que monotonia!

Nem uma folha
Mexe!

Nem um carro
Passa!

Nem um pássaro
Esvoaça!

Sempre esta negrura
Pardacenta!

Neste país da chuva
Miudinha e chata!

Só, estou só! Eu e esta chuva.

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Outubro 9, 2007

Má-Língua

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São como noctívagos fantasmas na noite mal dormida, vagueando no insípido vácuo do nada da vida.
São apenas componentes insignificantes deste mundo conturbado.
São apenas pedras dum muro parcialmente já demolido.
Vão chegando, de soslaio olhando, os olhos esfregando, a tentar o resto de sono espantar, e um pouco de apetite pró trabalho arranjar.
Uns correndo atrasados, apressados, empurram o cartão lá pró fundo do relógio de ponto. Essa maquineta sem dó nem piedade para quem fora de horas o cartão lá meta.
Por fim mais descansados suspiram aliviados.
“Já está! Pronto! Assim fica sem razão o chefe refilão.”
Quase todos com cara amarelecida e olhos semi – abertos de sono empolados.
Assim, cada qual se transforma numa fachada precocemente envelhecida!
Sorrateiramente vão – se abeirando, controlando qual o melhor porto para atracar: se aqui, se ali.
Com um lacónico olá se vão esgueirando pró lado de lá, fugindo deste ferro que é pesado
e ali mesmo ao lado é mais leve o mangalho do trabalho!
Olá! Lá vem aquele! Se é quem penso que estou a ver já deve ter a língua gasta de tanto lamber!
Esfrego os olhos, apalpo a cabeça, tentando decifrar se é verdade o que nos outros estou a ver: Umas grandes orelhas de burro!
Não consigo chegar a uma conclusão, mas deve ser verdade e não alucinação, pois se fôssemos mais espertos, a esta hora estaríamos fundeados no mar dos nossos lençóis em vez de andarmos por aqui à nora.
Aqui sozinho no meu cantinho enquanto outros se juntam em bando falando de futebol ou então de qualquer coisa baldroando eu aqui estou nas suas casacas cortando.
Voluntariamente deixo cair para o chão uma migalha de pão para alimentar o meu ratinho.
Lá está a espreitar! Com os seus vivitos olhitos e as orelhitas espetadas a fazer lembrar gente especial: __ cientistas, peritos e peritas, espias e espiões até malícia de maioral!
À cautela, patada ante patada vai – se aproximando.
Ainda um dia há – de vir comer à minha mão! É lindo este meu ratinho! Não é desses plastificados, nem de pelúcia de brincar, nem daqueles domesticados treinados a passear pelos colarinhos para impressionar os vizinhos!
Lá vem aquele que já não é ratinho nem ratão mas sim asquerosa ratazana!
Ele e a sua mania que tanto enoja e já não me engana!

A CHUVA DA MINHA RUA

Filed under: COISAS — carva55 @ 3:14 pm
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Bate as horas o relógio da torre. Pum, pum, máquina indolente a tudo indiferente.
É máquina e nada sente!
Horas que foram , horas que hão – de vir. É a noite no seu lento fluir.
E esse pum, pum, lembra – me que há momentos que fazem e marcam os tempos.
As chegadas, as partidas, com suas tristezas ou alegrias.
E eu desespero nesta espera! Espera longa dolorosa!
Mas há esperas deliciosas:
Esperando a noite observando o pôr-do-sol! Esperando o raiar da aurora! No nascer dum novo dia. Saboreando o luar! Escutando os ralos a cantar!
Eis quase chegado o fim desta noite. Ali ao lado ouço um ressonar, lá em baixo o comboio que vai a passar.
E eu, aqui, só, enfastiado desta chuva que caía ontem e cai hoje de dia e de noite.
Estou triste. A chuva é boa e necessária mas é fria e feia, e é triste e me põe triste.
Não gosto dela, pronto! Prefiro o meu Sol brilhante e quente que me abre os horizontes e me mostra lindas paisagens de belos prados com regatos, densas e frondosas ramagens, rouxinóis nos choupais, pardais nos milharais, andorinhas nos beirais e outras coisas mais.
Mas ele tarda a chegar! E eu desespero nesta espera.
Há silêncio nesta insónia… Vou até à janela e ela lá está caindo miudinha e chata.
Vou para a cama para dormir e sonho com ela.

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