Era noite cerrada
Num céu de negro
Carregado
De uma quinta-feira
Chuvosa.
Sombras tenebrosas
De criaturas tinhosas
Espiavam
Rondavam
Cercavam.
Sempre presentes!
Sempre omnipresentes!
Sempre omnipotentes!
Nas aldeias lugarejos
E cidades.
Ameaçavam , torturavam , matavam.
Era já madrugada.
De repente, do breu da noite cerrada
Nasceu um dia claro. E o que antes era quase nada
Se juntou
Cresceu e multiplicou.
A vontade dos homens era una!
Juntos num ideal comum deram as mãos, vieram para a rua
E acabaram com a mordaça
Da impiedosa
Ditadura.
E o povo farto
Do freio
E da mordaça
Respirou de alívio
Saiu e encheu tudo que era rua e praça.
A plenos pulmões, em coro, gritou:
SOMOS LIVRES !!!
SOMOS LIVRES !!!
SOMOS LIVRES !!!
Fora! Com essa corja!
Com a escumalha!
Dos compadres!
Das comadres!
Dessa cambada!
SOMOS LIVRES !!!
SOMOS LIVRES !!!
SOMOS LIVRES !!!
Abril 2004