Entra ou Sai

Março 26, 2007

Tão perto e tão longe

Filed under: POESIA — carva55 @ 6:27 pm
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Tão perto e tão longe…
Inaceitável paradoxo
Que não vejo
Mas que sinto
Omnipotente!
Omnipresente!

No casulo
Desolador
Deste infortúnio
Pelo destino
Imposto

Exangue
Gota
A gota
Esvaio-me.

Sento-me
E espero
Pelo malho
Do tudo
Ou do nada…

Do tudo ou do nada…, que há-de vir.

Seja o que seja
Que venha
Nem que seja
Somente um olá.

Seja o que seja
Que venha
Mas que venha
E acabe
Com o efeito
Deste silêncio
Castrador.

Seja o que seja, contentar-me-á?
Sei lá?! O tempo o dirá.

O tempo! Sempre o tempo!
Por vezes justiceiro
Exterminador.
Por vezes
De todas as mágoas bálsamo curador.

Exangue, sento-me e espero.

Março de 2007

Março 10, 2007

A branca veiga na folha vazia

Filed under: POESIA — carva55 @ 10:43 pm
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A branca veiga
Na folha vazia
Espera a presença
Da minha alegria
Ou da minha azia.

Do que sair
Quando sair
Se sair.

Enquanto algo disto
Ou parecido com isto
Ao papel não chega
Acumulo orgias
E diarreias
Mentais
E outras coisas
Mais.

Que ao derramar, ao sabor da ocasião
Enfeitarão
Verborreias ocasionais
Uis e ais.
E outras coisas mais.

9 de Março de 2007

Manjedoura de vampiros

Filed under: Ratadas — carva55 @ 8:43 pm

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Manjedoura de vampiros

Esta coisa a que chamam de globalização, envolta em flexibilidade laboral, no pagamento de ordenados mínimos, nas falências fraudulentas, nas deslocações vantajosas, na poupança crónica nos meios humanos, na gula, na ganância, do grande capital, aliados às sanguessugas das seguradoras que pouco ou nada asseguram, que de pronto abrem as mãos para receber, e quando toca a pagar, sem escrúpulos depressa atam os cordões à bolsa, criaram um sistema redutor de regalias sociais, as quais para serem conseguidas, foi preciso que acontecessem, grandes lutas das camadas operárias ao longo de várias décadas, que fizeram derramar muito sangue.
Antes havia uma escravatura, na qual os negros é que pagavam as favas. Agora existe uma espécie de escravatura, moderna e incolor, onde todos, ou quase todos, são triturados.
E perante isto os governantes: ou cúmplices fecham os olhos e ceguetas fingem nada ver, ou submissos nada fazem no sentido de controlar esse apetite devorador, criando um esquema de condições e de regras num sistema socialmente mais justo. E somente porque foi esse mesmo capital de gula desenfreada que ao lhes patrocinarem as campanhas eleitorais, os elegeram e os montaram no cadeirão do poder
E assim, vamos indo. Uns assim – assim remediados acomodados, domesticados. Outros, compram cama vendem mesa e deitam conta à pobreza, __ como diz a canção__, enquanto a corda bamba da filha da puta da porca da vida, não se rompe e os atira para a sarjeta da vida, e, como desgraçados degredados os condena a vegetar na lama e no pó.
Os restantes como donos e senhores do mundo, ora na pele de ave de rapina, ora na pele de fera predadora, juntam-se em grupo e vão-se deliciando na manjedoura dos seus primos vampiros.

Março de 2007

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