Entra ou Sai

Janeiro 29, 2007

Finalmente

Filed under: Conto — carva55 @ 6:20 pm

O sol está lindo! Doirado, morno, neste Outono.    De rua em rua esticando as pernas, sem pressa nenhuma, vou passeando.    Chego ao cruzamento que é quadrado, e que é usado pelos Italianos como sala de reuniões. Quem os quiser encontrar, não precisa de noutro sítio os procurar, ali certamente os vai encontrar.    Numa das esquinas viradas para a serra encontra-se o Migros, na outra a Coop.    Numa das esquinas viradas para o Lago está o espaço __que por mudar tanto de dono e de conteúdo, chamo -lhe de, __multiusos __.    Na outra está a Ex. Libris com os seu discos e afins, e o Kiosk onde muita gente sonha acertar na sorte.    Vou até ao Cuba Libre e enquanto rego a goela preencho o papelinho que me habilita ao grande jogo do, __Euro milhões. 

    Em frente à Tv. Preparo-me para controlar os números.    Sai o primeiro, certo. Sai o segundo, certo. Sai o terceiro, certo. Pronto já ganhei para a despesa! __Pensei.    Sai o quarto, certo. Sai o quinto, certo. É pá! Já me chega. Isto já dá muita massa!    É agora a vez de saírem os números correspondentes às bolas das estrelas.    Primeira, certo. Segunda, certo.     Até que enfim! Finalmente! Depois de tanto jogar! Depois de tanto sonhar, de olhos abertos, eis que aqui está!    Sei que eram muitos os milhões
em jogo. Calculo que muitos serão os que me vão tocar.
    Incrível! Estou calmo. Tenho ouvido dizer que muitos se passam da tola, mesmo ali no segundo seguinte.    Eu continuo são que nem um pêro.      “O Povo é sereno! Se dúvidas houvesse , esta era a prova ,  ó Carmindo . És do povo e estás sereno”.   

    Começo a fazer cálculos e planos para gastar tanta massa.    Quando a receber, vou alugar uma coisa que voe e de lá de cima, vou espalhar ao vento muitas notas.     Vou-me divertir ao ver aqui em baixo as pessoas na azáfama da apanha.     Alguns aproveitarão o que tiverem à mão, para apanharem mais quantidade.     Se chover vão ficar admirados: __Que é isto? Dinheiro na chuva?! Depressa todos pensarão em virar os guarda-chuvas ao contrário para guardarem mais.   Amanhã vou ligar para a Tv. a dizer que pago a cadeira de rodas àquela senhora que há dias lá esteve a pedi-la por caridade.    Que ajudo aquela que pedia apoio em nome do filho portador de doença rara. Mais aquele desempregado, de momento enrascado.   Sim, vou ajudar estes e muitos mais.   Vou mandar à fava, para as ortigas da outra banda todas as editoras sanguessugas, que contactei.   Vou editar os meus livros. E, de manhã vou para a porta da igreja, e de tarde para os supermercados dá-los a quem os quiser aceitar. Basta-me a promessa de que cuidarão bem deles. Já tenho pregão: “ Quem quer quentes e boas? Quentinhas! “   As pessoas irão parar e estupefactas irão perguntar:    “Aonde, elas estão? Que não as vejo!”   “ Tenho-as aqui nas minhas mãos, __tome ofereço-lhas. São palavras minha Senhora, só palavras”.   “Áh! Palavras! Dê-me meio quilo delas por favor “.   “Obrigado minha Senhora. Coma-as devagar como se fossem castanhas, quentes e boas”.   Penso que vou ter que mudar de ares para fugir aos amigos de ocasião. Os da “midia” não tardarão a descobrir e então…   Para onde hei-de ir? Talvez para o grande Brasil. Não é para lá que vai a gente que foge?    Para lá, já foi um padreco a fugir ao rótulo de badameco.Uma de nome Felgueiras para lá foi para se livrar das frieiras que lhe mordiam, como se não lhe bastasse já a dor de calos apertados.   Coitado de ti, __Ó Brasil, grande Brasil! __Tanto gostam da protecção da tua enorme asa.   Talvez devido à fama dos recentes mensalões e dos antes seculares portos de abrigo onde os maiores corruptos escondiam seus proventos de milhões.   Mas eu não irei fugido à justiça, apenas às melgas que não tardarão a rondar-me a porta.   Tantos milhões! Quantos francos? Quantos contos serão?    Também tu, ó pá!    Há tanto tempo após a entrada em vigor dos Euros, e ainda a pensar em contos?!    Em Francos, ainda vá lá. É a moeda corrente desse país onde te encontras e é normal que penses neles para poderes calcular os casarões, os carrões que agora podes comprar.  

   Acordo. Abro os olhos. A sesta de tarde de domingo acabou. Ora que porra! Afinal foi só um sonho. Um rico sonho, sonhado de olhos fechados.    Visto-me. Apalpo os bolsos e encontro uma nota de vinte francos.    Preparo-me para sair.  Aonde vais a esta hora? __Pergunta a minha mulher.  Vou dar uma volta ao __bilhar grande __, ao redondel do costume: à Caravela, ao Centro e à Casa do Benfica.    Vou comer uns caracóis e beber umas imperiais, para ver se esqueço este sonho.__Sonho, que sonho? __Deixa para lá, depois te conto.__Agora vou, mas venho depressa. Amanhã estou no turno da madrugada e é segunda-feira, maldita será como têm sido todas as outras!   Ainda por cima vou ter que continuar a trabalhar, teso como sempre, __resmungo, deveras muito chateado.    Espreito pela janela, e o sol lá está. Lindo, doirado e morno, __sol de Outono.     Valha-me isto, ao menos o sol é real. E aqui por estas terras é coisa rara. 

 

 

 

 

 

 

 

 

2 comentários »

  1. Lindooooooooo e vou pôr no meu blogue:):):):)

    Beijos

    Comentar por Fatyly — Fevereiro 3, 2007 @ 1:01 pm | Responder

  2. Ola, Carmindo

    Pois é, vamos sonhado enquanto por isso nao se pagar imposto.

    Um abraço

    Comentar por A. carvalho — Novembro 5, 2007 @ 4:51 pm | Responder


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