ENTRA OU SAI

Julho 2, 2008

Quando a música parar

Arquivado como: POESIA — carva55 @ 3:04 pm
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Há encanto e magia na música que paira no ar .

Do toca - discos sai :

” * My girl is mine.
She is the world.
she is my girl. “

É aquela canção mágica
Que me faz vibrar . E então envolvente
Como serpente
Começa a festa .

Em ritmo crescente
E quente
A orgia mental
Avança indomável .

Do toca - discos sai agora :

” ** Toca-me
que tenho medo
pode o amor
guardar segredo ? ”

No reverso
Desta minha
Fachada
Sinto um calafrio .

Um quarto
Dois corpos
E um só medo
Espreita pelo espelho .

Dois desejos , duas almas
Gémeas
Duas forças
Sincronizadas .

Em conjunto lutando
Ocultando
O medo do proibido
Do clandestino .

O fogo invisível está aceso . Como lava
De vulcão arde e queima .

* ” When the music´s over ”

Quando a música parar
Quero ficar assim a flutuar
Ébrio no que restar
Desta música que paira no ar .

É bálsamo é aconchego
É disto que neste momento
Preciso para continuar vivo
Resistindo ao habitual insípido tédio .

Quando a música parar
No silêncio quero ficar
Só , a recordar .

E a cassete deste meu caminhar
Lentamente a desenrolar
Para melhor saborear .

* Jim Morrison
* * António Manuel Ribeiro
Abril de 2001 . In , Entre os Quês e os Porquês

Maio 8, 2008

Mãe Galinha

Arquivado como: POESIA — carva55 @ 4:19 pm
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Mãe , teu ventre me gerou
E o berço me embalou .
Teu doce falar
Ao acarinhar
Teu saber grandioso
Para a vida me soube preparar
Fazendo de mim trabalhador
Lutador
E não ocioso
preguiçoso .

No ventre me transportaste
Imagino quanto peso carregaste !
Quantos sacrifícios passaste !
Tantos filhos criaste !

Mãe , sei que meu silêncio te faz sofrer.
Olha , não é palavra vã
Mesmo , mesmo amanhã
Te vou escrever .

E para alegrar teu coração
Sem mais demora
Que já é hora
A carta mando de avião .

In, __ Entre O Ter e o Querer__, Julho 2000

Maio 4, 2008

Ser Mãe

Arquivado como: POESIA — carva55 @ 10:57 am
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Ser mãe, é na essência da palavra
A máxima consagração
Da condição
Feminina de ser mulher.

Ser mãe, é o despertar de um sonho
Tantas vezes sonhado!

Ser mãe, é o concretizar de um desejo
Que ansiosamente transportava no peito.

Ser mãe, é o florir de uma roseira
Lindas e charmosas rosas!

Ser mãe, não é só o gozar ao fazer um filho
Que ao pari – lo
Como cadela danada o enjeita e atira
Para a sarjeta da vida
Tal como algo putrefacto
Um velho e roto trapo.

Ser mãe, é dar – lhe o seu sangue, uma vida.

Ser mãe, é estar do seu lado
Vigilante a todo o instante
Para que nada falte ao seu filho
Tão querido, tão amado!

Ser mãe, é isso e muito mais!
É em silêncio sofrer sem ais…

É rir de contente
Do mais pequeno instante
Que faz feliz
O seu petiz.

Ser mãe, é defender até à morte
O seu filhote
Como a loba ferozmente com valentia
Defende a sua cria.

A todas vós mães e avós
Mães galinhas extremosas
Mulheres de todo o mundo
Neste dia em todo lado comemorado
Vos peço perdão pela demora
Mas aqui e agora
Vos rendo vassalagem
Me curvo à vossa passagem.

E ao lembrar – me de minha mãe
Velhinha, lá longe sozinha
No seu cantinho
No silêncio do meu quarto
Meus olhos choram lágrimas silenciosas
Que molham e deslizam pelo meu rosto devagarinho.

São mágoas
Águas derramadas
Que eu seco com o meu lenço
De linho.

Se é feio um homem chorar, não me importo de ser feio.
——–
Maio de 1994
In, __ Entre o Ter e o Querer__ Julho 2000

Maio 2, 2008

Bicharada Zangada

Arquivado como: POESIA — carva55 @ 7:01 pm
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Bicharada zangada
( Um porco encontra a sua comadre galinha)

Então comadre galinha!
Como vai a vidinha?
Bem ou não?

Olhe compadre porco,
Isto não vai nada mal.
Veja lá, que meu dono passa mal
Para me dar uns quilinhos de milho
E até de trigo!
Ai que papas mais ricas fazia!

E só para uns ovinhos me apanhar!
Tal é a pouca vergonha
Planta – se de sentinela
Quando os estou das entranhas a largar.

Antes ainda comia uma galinhita
De quando em vez, aquando das doenças
Paranóias das crenças!
Agora não! É obra da ciência!
Já não andam tão encrencados
Andam todos vacinados.

Ah! E então o compadre?

Olhe comadre,
Eu já nem sei o que pensar ou dizer.
Meu dono para um dia me comer
Enche – me tanto a pança!
Diz que é para a matança.

Olha! Olha! Lá vem o Sr. Cão.

Então Sr. Cão, como vai isso? Bem ou não?

Não, não vai bem não.
Meu dono quanto mais eu gosto
Dele, mais mal me trata.
Ele come a carne e o pão
A mim dá-me ossos com cheiro a batata.

E o nosso amigo Burro?

Burro! Esse? É só de nome!

Um dia quando o dono demais o carregou
Nem para trás olhou,
Espetou-lhe uma parelha!
Foi cá um par de coices!
Teve sorte o malvado
Apanhou-o só de lado
Se fosse em sítios tais
Ficava aos ais – ais.

De repente todos se calaram
Para a frente olharam
E viram um garboso gato
Senhor dos bigodes
Não entrando em pagodes
Botou palavra e assim falou:

__Façam como eu. Se me chama não oiço,
Se algo me ordena não faço.
Quem pensa que sou?
Não sou artista nem palhaço
Pró circo não vou
A mim não doma
Em mim não pega a sua goma__.

Todos se entreolharam,
Um silêncio sepulcral se fez sentir
E como o retinir
De campainhas, naquelas cabeças martelou.

Depois de um pouco pensar
Todos concluíram como actuar.

Para mim acabou
Não come mais ovos que eu ponha!
Nem mais um lhe dou!
Haja vergonha.

E eu não corro mais,
Não dou nem mais um passo,
Nem mais um coelho eu caço,
Jamais!

E eu porco sou
Mas parvo não.
Vai ver quem sou
Dou – lhe um safanão
Com o meu focinho
Que o ature o meu vizinho.

In, Entre o Ter e o Querer , julho 2000

Pois é

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É tão verdade
Que não há carecas burros
Como verdade é
Que há muitos burros carecas !

E eu que careca sou e algo de burro também
Estou à vontade
Para falar desta realidade
A muitos filhos da mãe !

Março 15, 2008

O Baile dos Malditos

Arquivado como: POESIA — carva55 @ 7:01 pm
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danca-1.jpgginastica-especial.jpg


Há sombras
Rocambolescas
Nesgas de gente criaturas vesgas
Dançando nuas
À luz da lua
No fim da rua .

Quero , com elas quero dançar
Dançar até fartar .
Dançar nesse baile dos malditos
Animado com tambores
Cornetas e apitos
Quero dançar .

Dançar: o Rock, o Samba
A Valsa , a Lambada
O Roça-Roça, o Bailinho
O Corridinho
O Tango
O Fandango.

Para cá
E para lá
Nesse baile dos malditos
Quero dançar
Dançar
Até fartar .

( In __Entre o Ter e o Querer , Editorial Minerva Julho 2000

Fevereiro 13, 2008

Cicloamores

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rosto-e-rosa.jpgpatos1.jpg

( FOTOS, da NET )

Cicloamor ( I )

Oh! Meu amor
Meu estupor.

Socorro estou apaixonado
Desumanizado.

Sou uma pachorrenta
Cavalgadura.

Cavalgam – me o nariz lunetas
Apenas enxergo em frente o resto são tretas.

Cicloamor ( II )

Apaixonado, é vaguear
No chão ou no ar
Ébrio planante
A tudo indiferente
Ora acre
Ora doce
Prenhe de loucura errante.

Cicloamor ( III )

O amor é um monstro de sete cabeças!
Tritura!
Devora!
Mata!
Abandona!
Abençoa!

Cicloamor ( IV )

O amor aparvalha – nos
A todos.
Cegos e moucos
Repudiamos a verdade
Exorcizamos a realidade
E a nossa cara-metade
Fedorento mamarracho horrendo
Torna-se beldade iriante
E empolgante

Cicloamor ( V )

O amor é uma nuvem de encanto envolvente
De uma poção cativante
Que hipnotiza a gente.

Cicloamor ( VI )

Em amores e paixões
Há milhões
De interpretações.
Há cores nas imagens multicoloridas
Há sons maravilhosos nas melodias
Há vibrações estranhas!
Perigos, prazeres, em lutas, em batalhas,
Com coragem e valentia enfrentadas
Nos socalcos, nas curvas
Das paixões loucas
Nos amores desmedidos
Das nossas vidas.

Mas afinal, o que é o amor? Ninguém sabe de facto
Porque é o cúmulo do abstracto.

In , __ Entre o Ter e o Querer , Editorial Minerva Julho 2000

Dezembro 26, 2007

Obra - Prima da Criação

Arquivado como: POESIA — carva55 @ 6:36 pm

Esse teu fresco sorriso
Esse teu fixo
E penetrante olhar
Esses teus cabelos
Negros
Neste nosso e teu lar
Vieste morar
E a todos alegrar.

Com quatro meses apenas
Já te mostras
Muito observadora
Das cores
Das coisas.
É claro que és esperta!
Isso se vê a olho nu. E lá diz o povo:
__Quem sai aos seus não degenera! __

A esse teu lindo sorriso que encanta
A esse teu olhar cativante
Que hipnotiza
Toda a gente.
Nem os olhares
Dos estranhos curiosos
Nem os dos teus avós babosos
Ninguém fica indiferente.

(Para ti , Jlana)

Rorschach, nove de Dezembro de 2007

Dezembro 1, 2007

É Natal

Arquivado como: POESIA — carva55 @ 1:44 pm
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É natal de sonhos
Natal de desgostos
Natal de beijos
Natal de abraços .

É natal dos grandes
Natal dos pequenos
Natal dos graúdos
Natal dos miúdos .

É natal de ricos
Natal de pobres
Natal nas luzes em todos os cantos
Natal nos brinquedos e seus encantos.

É natal nas compras
Natal nas esmolas
Natal de farras nas mesas recheadas
Nas panças inchadas e goelas regadas .

É natal nas barrigas vazias
De ar insufladas
Natal que depressa vem para quem muito tem
E depressa vai para quem pouco ou nada tem .

É natal dos amigos sinceros
Natal dos amigos fingidos
Natal dos lambe-lambe
Botas e cus de gente.

É natal por um dia
Mas é um dia cheio de natal!
E o dia do dia seguinte, já é um dia
Igual aos outros dias . Um dia sem natal!

E então, o rico regressa ao seu lindo e cheio palácio.
Pelo prazer da posse de tudo que quis, inchado!
Mas vazio
Do natal já esquecido.

O pobre regressa ao seu casebre triste e frio .
Desconsolado
Talvez desesperado
Pela lembrança dos dias e dias em que foi lixado.

E à rua, à casa de cartão, regressa o sem abrigo
Vazio do contágio a que chamam „ espírito natalício „
O azar ou o vício lembrando
Contra todos e tudo lutando.

Dezembro de 2002

Outubro 10, 2007

Só, estou só !Eu e esta chuva

Arquivado como: POESIA — carva55 @ 6:54 pm
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Chove, chove
Há tanto tempo que chove!

Que silêncio!
Que monotonia!

Nem uma folha
Mexe!

Nem um carro
Passa!

Nem um pássaro
Esvoaça!

Sempre esta negrura
Pardacenta!

Neste país da chuva
Miudinha e chata!

Só, estou só! Eu e esta chuva.

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