Entra ou Sai

Abril 20, 2012

Tabus 

Tabus

 

Tabus. Ah! Os tabus. Monstros que atrofiam, que enclausuram.

Foi o namoro em casa do irmão onde o sogro é que ficava a controlar-me, a controlar-nos.

A mim, que era um estranho que lhe entrava em casa, mas a ti que vivias lá e tinhas vinte e sete anos?!

Tanto controle! Controle, mas na pessoa errada.

Tanto foi assim que a filha é que emprenhou!

Foi nos vãos de escadas, nas curvas de escadas entre andares, nos jardins, nos bancos dos autocarros , na barraca da praia com areia a arranhar , em lençóis alugados.

Foi onde tinha de ser, o momento exigia e onde podia ser …

Foi em casa, às sestas de pança cheia em plena digestão onde ainda o alçar das pernas não incomodavam, não havia dores chatas a chatearem nos tornozelos, nos artelhos…nem panças a estorvarem.

 Foi em casa de tarde à noite, a qualquer hora, bastava que apetecesse.

 Mas sempre esperando que enquanto e durante o acto, quem tinha a chave suplente não viesse incomodar.

 Como chegou a acontecer vir e interromper no momento exacto e mais impróprio.

Foi, o que foi, como foi. E é isto que temos para recordar.

Se um dia te acabarem os comeres , se um dia te caírem os dentes , lembra-te que já tiveste dias melhores que foram teus , que foram meus, meus e teus.

 

Abril de 2012

 ImagemImagem

Março 23, 2012

AS MAMAS DOS HOMENS

Filed under: COISAS MINHAS — carva55 @ 12:53 pm
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As mamas dos homens para que servem ?
Têm alguma utilidade ? Será para as línguas que por lá passam terem onde depositar os perdigotos ?
Será  que é para enfeitar  ?  Não ficaríamos mais bonitos sem essas coisas ?
Dizem que deus nos fez . Então penso que desperdiçou  energia , matéria prima e tempo . 
Ou terá sido visionário e previu logo que iam aparecer os GAYS e assim
quis poupar-lhes tempo .  Já as têm é só assoprar-lhes …  
Há por aí alguém que me dê respostas lógicas ?

————

Comentários

1 ) As mamas dos Homens tambem
dão “Alma” às Mulheres. Se os Homens gostam de ver os seios das
Mulheres, tambem , elas gostam de ver as nossas! Só que na Praia todo o
“Burro” olham os peitos delas enquanto despidas e, elas, nem reparam nas
nossas!

 2 ) Nem reparam ?  Realmente algumas são tão feias que metem medo ao susto!…

3 ) Do que tu telembras…  

 4 ) Tem graça ,só pensei  nesta coisa já com 56 anos , porquê não sei?

5 ) Sabes que os homens também desenvolvem cranco na mama.

6 ) sim,já  ouvi

Poeta

Filed under: COISAS MINHAS — carva55 @ 12:24 pm
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Sim, sou Poeta sim Senhor!
Sou poeta quando falo, quando escrevo.
E assim dizendo, as minhas alegrias, se me apetece partilho.
As minhas tristezas, se quero, escondo.
Sou poeta, sentinela alerta quando firme denúncio a malvadeza que por este mundo alastra e impiedosa me tortura.
Sou poeta quando desejo o bem para todos, num mundo  livre e limpo de
todas as maleitas que impregnam, todos os cabelos, todos os neurónios,
todos os nervos destes tristes mortais.
Sou poeta quando sadicamente desejo que os deuses desçam dos seus pedestais e venham até junto dos demais.
Que tenham a coragem e ousadia necessária e façam uma monda profunda e
arranquem todas as ervas daninhas e transformem isto num verdadeiro
jardim.
Não, só isso não, muito melhor: Que nos livrem destes
empecilhos, que tudo emperram. Destes corruptos que tudo nos roubam,
tudo como sanguessugas nos sugam.
Já que os fizeram, fazem todos, (dizem), que os levem que os aturem.
Sou poeta quando digo que quero o teu bem. Que te respeito como ninguém.
Dá-me prazer ver o teu sorriso. Um sorriso de canto a canto rasgado!
Quando comigo ris das minhas alegrias.
Às vezes, o meu sofrer, nas minhas tristezas , meto-o ao bolso… Carrego-o e levo-o para onde posso.
Para longe de ti. Um longe muito longe sem ti. Para longe dos teus
olhos. Só quero saber que os teus olhos só vêem e retêm a beleza que têm
os teus sonhos.
Longe de mim querer ousar turvar essa água cristalina que habita em teus olhos …
Óh! E como isso é tão bom!
Muito bom! Um bem supremo!
Que fica alimentando esta ânsia ardente, que é fogo!
Óh! E como isso é tão bom!

Março 1, 2012

LIVROS GRÁTIS

Filed under: COISAS MINHAS,Uncategorized — carva55 @ 11:21 am
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Olá . Convido-vos a baixar , guardar e ler com calma . Obrigado

http://www.bubok.pt/livros/1471/Entre–Margens

http://www.bubok.pt/livros/1473/Entre-Olhos-e-Folhos

Dezembro 25, 2010

Dança mágica da procriação

Não sei de onde

Que é aquilo que ao longe se agiganta?
Simples remoinho de vento?
Ou o nascer de um perigoso tornado?
Agora, já mais perto, revela-se: Nada mais é que uma bela amazona bem montada.
Ve-se-lhe nitidamente o loiro cintilante do cabelo desgrenhado pelo vento na cavalgada.
Radiante pela euforia da chegada mais ofegante que o robusto corcel de batalha que monta.
Chega, apeia-se, arrima-se, aconchega-se.
Submissa entrega-se a mãos que perscrutam, curiosas investigam afagam apalpam quentes seios, macios e aveludados hirtos mamilos.
E a dança começa.
Os olhos, cúmplices fingem nada ver.
Os narizes expectantes cooperantes observam e consentem.
Os lábios tocam-se, as bocas abrem-se, as línguas aproveitam e serpenteiam como lânguidas serpentes em tempo de acasalamento roçam-se ao de leve.
Depois com o amor que livre flutua no ar e que anda de mão em mão, Sofregamente contorcem-se na quente e envolvente dança mágica da procriação.
E as partes, húmidas e viscosas, gulosas incham e em êxtase explodem.
Semeiam, e delas nascem lindos e engraçados pirralhos que se tornam em botões, e depois em lindas flores que formam os jardins e os édenes, que enfeitam e perfumam as nossas vidas.

24 de Dezembro de 2010

Setembro 24, 2010

Meu Livro Em Destaque

Filed under: COISAS MINHAS — carva55 @ 4:50 pm
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Olá . Convido todo o mundo a passar pelo Site www.bubok.pt onde vão ver o o meu livro _ CONVERSAS DE PAPEL __ Em DESTAQUE , como livro RECOMENDADO, há já cerca de doze dias , devido a uma votação dos próprios cibernautas que visitaram esse site e nele votaram . E eu , pobre sou …mas não mal agradecido, sinto-me envaidecido, ( quem não é vaidoso , pelo menos um pouquinho? ) Para mim , sedento de comunicação, este estado de Top, é como casqueiro com sabor a trigo… E já agora, quem ler o conteúdo libertado e a sinopse e gostar pode comentar . Sempre é publicidade de boca- em -boca , que é a melhor.

Maio 9, 2010

Novo livro

Filed under: COISAS MINHAS,Uncategorized — carva55 @ 12:53 pm
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Informação para quem interessar.
Coordenadas para encontrar o meu novo livro.

http://www.worldartfriends.com/store/2-livros?p=4

Link, Livaria, Livros, Página 4 , Letra ( C )

Março 13, 2010

Coisas da vida

Hoje é sábado, dia treze de Março de dois mil e dez.
Voluntariamente fui trabalhar. E até hoje pouquíssimas vezes fui voluntário, fosse para o que fosse.
Sempre ouvi dizer que voluntário, só para a sopa e o pré – que é o ordenado da tropa.
Para entrar na Marinha, tive que assinar um documento, porque nessa data já era casado. Por isso, voluntário, não foi, porque fui fora de tempo, e não fui recrutado porque não me tinham chamado. Então digamos que fui semivoluntário.
Hoje, como disse, aprontei-me a ir, porque no último sábado deste mês o meu amigo joão Cruz e respectiva família vão mudar de casa e quero ir ajudá-los. Para isso já avisei o meu chefe para nessa data não contar comigo.
Normalmente devia ter ficado em casa, porque antes de ontem fui a Zurique com a minha irmã, a minha mulher, uma das minhas filhas e um dos meus genros, assistir ao concerto da Mariza.
Lá fomos na “carreira”, em excursão no jipalhão da minha filha, porque o meu carro estava na garagem para ser preparado para ser levado ao controle periódico. E a tracção às quatro rodas do jipe dava mais garantias de não acontecer, vir a ser apanhado num carrossel de uns possíveis incómodos e perigosos deslizares no gelo e na neve.
Tirei o dia de sexta-feira de férias porque nunca se sabe o que pode vir a acontecer, e porque não sabia a duração do concerto, e também porque estava de neve.
E então pensei: _Para quê poupar férias se eles, escudando-se na polivalência e na flexibilidade laboral, (palavras deles) nos estão a meter em casa conforme lhes agrada?
Gastar um dia de férias – o dia de sexta-feira, e ir trabalhar o sábado – não é normal . Mas como já disse o interesse foi meu.
Acabei de sair de uma rica sesta.
Já estou de molho no banho de imersão.
A careca transpira. Nas tetas a espuma faz cócegas. Com o calor da água quentinha o grelo acorda e arrebita-se.
Lembro-me dos tempos da Marinha. Dos saborosos petiscos na nigth inglesa, que foram repasto do meu cavalo, jovem e à solta.
Lá fora, sei que está frio porque a neve continua nos telhados e no lameiro.
Sabendo isto, tem mais sabor o quentinho da água da banheira.
Da sala chega-me a voz da minha mulher a falar com a nossa neta Noélia de sete meses e meio.
“ Estás rabugenta! Estás farta de estar na aranha? Já te ponho na manta do chão para poderes fazer ginástica, rebolar esbracejar e espernear à tua vontade. Oh com um catano! Já estás outra vez junto ao móvel! Caramba que não paras! “
Criança parada é mau sinal. Querer criança saudável paradinha, sossegadinha? – Será o mesmo que querer um leão sentadinho a ver televisão. só amarrando-o a um poste… Penso.
A neta responde-lhe com um papa, que não sei se quer dizer papá de pai, ou papa de comer. A chamar pelo Papa chefe dos cristãos não é com certeza…
Volto à minha Marinha.
“Se tivesse ficado por lá, já estaria reformado a gozar à grande e à francesa”, penso.
No Vale da Amoreira onde tenho a minha sede, habitam também alguns dos meus ex. Colegas. E em contacto periódico que com eles tenho mantido, fui sabendo que há já muito tempo, muitos anos, com a frequência nos diversos cursos se tornaram Sargentos.
Alguns, por terem participado em comissões especiais, beneficiaram de bonificações de tempo e já se encontram reformados.
Eu, como não me tenho nem por mais burro, nem por mais esperto, certamente teria passado por tudo isso, e agora estaria nessa dourada situação, a gozar o saboroso estatuto… Assim tenho que por aqui continuar a malhar no ferro dos tubos…
Poderia ter continuado. Cheguei a meter os papéis. Acabei por decidir sair. Foi a minha opção portanto não adianta chorar sobre leite derramado…
“Que raio, outra vez?! Já me doi as costas de tanto me baixar para te ir buscar .“
“A guerra continua. Ainda bem porque assim tens com que te entreteres , senão morrerias ao pasmo, a cismar em coisas e loisas”, penso, enquanto me seco.
Saio. Na sala, a Tv. passa algo que não sei do que se trata.
Não me cheira a grande coisa…Em poucos segundos, concluo que não me interessa.
Vou para o computador.
E aqui estou, a dedilhar para registar, esta coisa em forma de desabafo.
Agora com as baterias bem carregadas estou pronto. Prontíssimo!
Noutros tempos seria para a nigth. Hoje vai ser para a sossega, que estes meus cansados ossos por vezes rangendo já reclamam.

Abril de 2010

Julho 19, 2009

Confraria da Caldeirada

Da net

Da net


Decorriam os anos setenta. Havia pouco tempo que tinha acontecido a célebre revolução dos cravos.
A esperança estava elevada ao máximo. “Era agora que tudo aquilo por que tínhamos sonhado e tanto esperado ia ser realizado”, __ ouvia-se por todo o lado.
Era uma coisa que enchia as ruas, as fábricas, e impregnava de alegria principalmente, as cabeças e os corações das pessoas.
As pessoas que eram o povo. E o povo acreditava, porque a fé e a esperança move ou derruba montanhas, dizem …
Mas outras forças, semiocultas, submersas, quase que em banho – maria, esperavam o momento de atacar.
As forças de quem pode __ as forças do vil metal, por quem tudo gira, para quem tudo cresce, para sustentar as descontroladas gulas, e ganâncias desenfreadas.
E assim foram passando os dias que fizeram anos. Anos de continuação do penar dos filhos da mãe, de muitas mães, mães sofredoras, mães trabalhadoras, mães que limpavam, mães que amamentavam e desmamavam, mães que sofriam os azedumes dos seus homens, mães que choravam as mortes dos seus filhos, mães que apertavam a cinta para travar a crescente fome de tudo a crescente fartura de nada.
As forças acima descritas, semiocultas nos covis, ou em tachos marinando e temperando, repito: _ em banho – maria esperando, pacientemente esperavam.
Até que chegaram os tempos em que já no ponto, apareceram e como praga moléstia ou epidemia se multiplicaram e de tudo se apropriaram.
As pessoas, as mães e os filhos que faziam e compunham o ramalhete da esperança e da crença, de tanto esperar, estando já num estado de desiludidos, amorfos, e como um rebanho entontecido pelos interesses do pastor, foram fechando os olhos, deixando tudo crescer ao gosto e prazer de quem estava a reaparecer.
E assim, o meu querido país, rapidamente se transformou numa manta de retalhos rota, desfraldada e esfarrapada. De todo o lado, apareceram mentes corruptas e dedos gulosos e mafiosos a abanar e depressa a desviar, a árvore. A desviar, repito, __ porque roubar era o acto de quem antes estendia a mão à fruta para matar a larica a que estava condenado.
Décadas depois permanece a caldeirada, por essas forças tão bem confeccionada. Forças reunidas na confraria da Caldeirada.
E para completar a obra começada, apanharam boleia na crise financeira que os seus primos espalhados pelo mundo engendraram, comandados pelos dos “states”, (porque é de lá que vem toda a merda envolta em pozinhos de oiro!) e à outra crise de valores já bem medrada, juntaram, e nos restantes amorfizados, anestesiados, deram muita porrada. Agora como toiros usados nas toiradas, nas arenas torturados, ensanguentados, ajoelhados esperam a última estocada.
Enquanto esperam por isso olham em redor procurando os valores anteriormente conquistados em séculos de lutas. Alguns desses valores estão já irremediavelmente perdidos. Outros esperam ainda na calha do corredor da morte. Como se de membros desossados se tratasse, já desmaiados, desfocados, desvalorizados, esperam o momento final. O sacristão prepara já a corda e o sino para dar o toque a finados, finitos, espremidos, prensados.

Julho de 2009

Agosto 9, 2008

Cavalo à solta

Filed under: COISAS MINHAS — carva55 @ 12:51 pm
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Ontem, sexta-feira, fui até Lagoa no Algarve, à festa da cerveja.
Actuavam lá os meus muito queridos __U.H.F.__.
Estando eu de férias no Carvoeiro que fica ali bem perto, foi sopa no mel, aproveitei logo aquela oportunidade.
“ Nos bastidores, em conversa colectiva porque a isso a etiqueta obriga, e há que satisfazer as múltiplas solicitações dos fãs, em palavras circunstanciais, perguntaste: “__Então, gostaste?”__ “Sim claro! Respondi. “
Agora cá para nós, __ digo-te mais: Digo-te que foi noite de pança cheia!
Obrigado ó Ribeiro, por aquela lição poética. Só tu és capaz porque és único! O melhor poeta! Dos vivos e dos mortos, dos de cá e dos de lá, onde quer que seja esse __lá __.
E, já sabes porque já te disse, para a próxima vez que vires no outro lado a minha careca a brilhar, __dá-me um bilhete pró inferno…, __ que eu pego na trouxa, dou uma saltada e vou até lá de férias.
Cheguei a casa pela madrugada.
Logo de seguida chegaram uns vizinhos muito barulhentos. Uns alegres a cantar, outros a discutir, todos a baterem as portas, alguém vomita.
Sinto saudades do silêncio que habitualmente reina naquela rua da Suíça onde moro.
Tendo em conta que no Algarve impera o turismo, apetece-me gritar-lhes: Caluda! Ruhig! Schweigen! Silence !
Mas, para quê, se outros virão, e ruidosos continuarão? Será como remar contra a maré e se calhar eu é que estou deslocado neste espaço.
Por cima, correm águas. Alguém toma duche, parece-me.
Vindo não sei bem de onde ouço um ranger característico. Mexo-me na minha cama a testá-la e a comparar os sons. Sim, é isso mesmo que pensei, concluo.
Chega mais uma revoada de vizinhos, (parece que chegou a camioneta da carreira!) e para não variar, também estes são barulhentos.
Para ajudar à festa vêm acompanhados por um par de canitos, __nota-se a diferença no tom do ladrar. E pelo “ éu-éu “ nota-se também que são de raça pequena, senão seria com um “ ão-ão “que se apresentariam em palco.
Fazem-me lembrar aquelas espécimes caninas que as más-línguas invejosas diziam que eram uns lambe-lambe e com isso faziam concorrência a muita boa gente! Mudaram os tempos e com eles vieram novas modas com artefactos especiais: enrugados, rotativos vibradores, coloridos, etc.
Mais uma vez o meu vizinho galo, que mora ali por perto, bem cedo, certinho como um relógio, a uma cadência impressionante começou a cantar e com o seu “corÓcocÓ”me despertou.
Volto-me para o meu melhor lado e espero que o sono apareça. Mas neste ambiente hostil torna-se impossível e com os olhos escancarados, acontece uma grande branca do tamanho da brancura da parede…
Tenho andado a dormir pouquíssimo. Já tentei carregar as baterias com uma sesta mas a algazarra e o barulho das pessoas na piscina do condomínio tem impedido esse meu intento.
O melhor é ir para a praia, talvez lá consiga dormir mais um pouco, pensei.
Meto pernas ao caminho, mas antes procedo ao dejejum e faço uma visita a um quiosque a fim de comprar postais e algo para ler. Apanho alguns e às tantas: “Olha este que lindo! A paisagem e até a posição é a mesma, mas tem cores mais bonitas.” Levo este, penso.
Ao devolver o outro ao expositor reparo que muda de cores. Ora que porra! É o brilho do sol reflectido no branco do casario frontal que em conjunto com o do postal provoca aquela confusão. Confusão? Talvez não. Porque toda a ignorância se justifica enquanto um qualquer__ ignoro__não for identificado, de branco passa a preto, de elefante passa a camelo …, etc. E tal.
Àquela hora ainda estava quase deserta com apenas algumas dúzias de pessoas.
Alguns casalinhos de pombinhos, arrolhando enroladinhos, talvez ainda digerindo algum saboroso repasto!
Alguns “ casalões “ dessintonizados e dessincronizados enrufando!
Monto o meu estaminé e de bruços preparo-me para bater uma soneca.
Passado um instante ouço um som que conheço muito bem. Alguém está a ressonar. Ora que porra, só me faltava esta, por esta é que eu não contava, Até aqui tão longe e logo na praia!
Lamento, é pena, interfere e estraga a bela melodia que vinha envolta no enrolar das ondas do mar e no grasnar das gaivotas que por ali se viam a voar.
Lembro-me da minha esposa que habitualmente também toca esta música. É tão grande a tortura que às vezes levanto-me e vou para a sala tentando escapar. É grande o espaço mas nem assim me safo. Ouve-se como uma malhadeira numa eira dos tempos idos.
Reparo que uma vizinha também já se tinha apercebido disto e os nossos olhares se cruzam e parecem dizer: “sim, é verdade, eu ouvi, tu ouviste, logo não estamos alucinados.”
Tentando afugentar um insecto qualquer que me ronda a penca do nariz e parece querer espreitar lá para dentro, __tal é a pouca vergonha!
Franzo o nariz. Fecho os olhos e eis que ele volta à carga. Mesmo de olhos fechados repito a dose e devido à luz fortíssima do sol vejo umas cores lindas, um verdadeiro arco-íris multicolorido. Com isso devo de ter feito umas caretas esquisitas pois que ao abrir os olhos deparo-me com um sorriso, (por sinal encantador) da minha vizinha.
Ponho-me de cu para o ar e __à cão__, com as mãos junto a areia, faço uma cadeira.
Muito bem instalado, com um livro preparado para ser “devorado” reparo que mais uma vez a dita vizinha acompanhou aquela minha tarefa. Ri-se, talvez pensando em posições similares, dela, ou de alguém.
“ Este gajo deve ser louco, __ certamente pensará “. Que me importa? Ela não sabe nem nunca saberá que esta minha santa loucura não me incomoda, porque nada me dói.
Que pense o que quiser.
Algumas vezes já me fiz de burro, noutras já me fizeram de camelo. E eu que até já me julguei ovelha tresmalhada e prenhe, abóbora oca, já engoli sapos vivos, já comi pão duro e bolorento, já fui de tudo um pouco, certamente já estou vacinado.
Junto à costa navega uma embarcação que me faz lembrar as fotos que atestam como eram as naus de madeira e à vela usadas nas descobertas pelos valentes marinheiros. Só que esta deve de ser de plástico e vinda da China ou redondezas.
Um gaiato esgueira-se em direcção à água. “Michel. Vient ici, Tu não ouves? Ó meu grande filho da p… “ a fulana ligou o radar a tempo, lembrou-se que
estava em Portugal arrepiou caminho e não concluiu.
Decido ir testar a temperatura da água. Está tão fria que os dedos encurvam, o grelo arrebita-se__ talvez tentando fugir àquela tortura molhada e fria.
Mais tarde penso que não posso de maneira nenhuma ter vindo até ao Algarve e não tomar banho neste mar tão afamado. Volto e lentamente milímetro a milímetro vou entrando e cada cabelo, cada poro da minha pele se zanga, mas finalmente consegui.
Na areia, o espaço lentamente vai escasseando.
Uns pés palmilham a poucos centímetros do meu braço. Olho para cima e vejo uma mini-saia tipo tenista, deixando ver um fio dental, (que raio de nome lhe haviam de arranjar! Se fosse: lingual, dedal, ainda vá lá! Estaria relacionado com algum uso …) enfeitando umas encantadoras bordas que formam uma apetitosa paisagem.
Os pés param, e decidem abancar mesmo ali. A dona curva-se a fim de estender a toalha no pouco espaço que ali ainda existe. E eis que o mundo torna-se mais interessante…
Um puto chega molhado e ao seu grupo falando em Castelhano diz: “Está fria pero buena!”
Fria?! __ Duvido. Nestas idades costumam estar quentinhas, penso.
Um cabelo que resistiu à devastação, e glorioso ficou mesmo no centro da minha careca, na presença desta coisa __ hirto manifesta-se…
“Tem calminha, ele fala da água e tem razão, realmente está geladinha.”
Entretido com estas divagações, com a leitura, e com a música do meu iPod, a hora de almoço chega rápido.
Enrolo a trouxa e vou procurar uma manjedoura onde possa dar algo de roer a este meu cavalo que teima em querer andar desenfreado, à solta. Erva fresca certamente não será, penso. Se houver somente feno, se tiver que ser, pois que seja. É ração de combate, mas não é de combate em tempos de guerra, mas sim de tempo de paz. Paradoxo enorme! Assim como há razões que a razão desconhece, também há paradoxos dificilmente decifráveis. De momento é o que está a dar. Comer, beber e deixar tudo rolar.

Carvoeiro, 2 de Agosto de 2008

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