

Manjedoura de vampiros
Esta coisa a que chamam de globalização, envolta em flexibilidade laboral, no pagamento de ordenados mínimos, nas falências fraudulentas, nas deslocações vantajosas, na poupança crónica nos meios humanos, na gula, na ganância, do grande capital, aliados às sanguessugas das seguradoras que pouco ou nada asseguram, que de pronto abrem as mãos para receber, e quando toca a pagar, sem escrúpulos depressa atam os cordões à bolsa, criaram um sistema redutor de regalias sociais, as quais para serem conseguidas, foi preciso que acontecessem, grandes lutas das camadas operárias ao longo de várias décadas, que fizeram derramar muito sangue.
Antes havia uma escravatura, na qual os negros é que pagavam as favas. Agora existe uma espécie de escravatura, moderna e incolor, onde todos, ou quase todos, são triturados.
E perante isto os governantes: ou cúmplices fecham os olhos e ceguetas fingem nada ver, ou submissos nada fazem no sentido de controlar esse apetite devorador, criando um esquema de condições e de regras num sistema socialmente mais justo. E somente porque foi esse mesmo capital de gula desenfreada que ao lhes patrocinarem as campanhas eleitorais, os elegeram e os montaram no cadeirão do poder
E assim, vamos indo. Uns assim – assim remediados acomodados, domesticados. Outros, compram cama vendem mesa e deitam conta à pobreza, __ como diz a canção__, enquanto a corda bamba da filha da puta da porca da vida, não se rompe e os atira para a sarjeta da vida, e, como desgraçados degredados os condena a vegetar na lama e no pó.
Os restantes como donos e senhores do mundo, ora na pele de ave de rapina, ora na pele de fera predadora, juntam-se em grupo e vão-se deliciando na manjedoura dos seus primos vampiros.
Março de 2007